Conseguir recursos financeiros para viabilizar a abertura de uma startup é o sonho de muitos novos empreendedores - especialmente após levar um “não” daqueles ao tentar fazer um empréstimo em instituições bancárias. Além de empréstimos e financiamentos, existe ainda a possibilidade de conseguir o investimento desejado por meio de um capitalista de risco. Mas que fatores será que esses investidores consideram ao avaliar essas propostas?

Capitalistas de risco são aqueles investidores que apoiam empresas ao comprar parte de suas ações, se envolvendo nos negócios da companhia com o objetivo de fazê-la crescer e ver suas ações se valorizando ainda mais. Ou seja, em troca do dinheiro, quem está tentando fazer a startup acontecer acaba cedendo parte de sua empresa ao investidor, que, por sua vez, analisa tim tim por tim tim sobre a empresa e seus sócios para determinar se aquele será, de fato, um bom negócio.

No entanto, cerca de somente 1% das startups que se arriscam nesse universo conseguem o investimento com capitalistas de risco. Para ajudar novos empreendedores nessa empreitada, o capitalista de risco Burak Basel, da Basel Holdings, listou seis fatores que ele sempre avalia com cautela ao receber essas propostas. São eles:

1) O caráter dos envolvidos

A ideia do negócio pode ser revolucionária, mas dificilmente o martelo do investimento será batido caso o caráter e a personalidade dos sócios não sejam compatíveis com as características do investidor. “Sua confiabilidade, honestidade, potencial de manter longos relacionamentos e ética no trabalho entram no jogo”, revelou o capitalista, que disse ainda precisar se “sentir completamente confiante nas habilidades tanto quanto no caráter da equipe antes de investir”.

2) A capacidade profissional de cada um

Outro fator que entra como decisivo na hora de decidir investir ou não, é avaliar a capacidade profissional dos integrantes da empresa. Por exemplo, um CFO que não tem lá muita experiência com o mercado financeiro dificilmente conseguirá cumprir seu papel com maestria.

Para fazer essa análise, Basel conta que coloca na ponta do lápis a experiência profissional de cada um, já que “é preciso existir uma equipe com potencial de fazer o negócio crescer e levá-lo a níveis elevados de sucesso”.

3) O potencial de inovação do projeto

Não é todo dia que investidores se deparam com uma nova Uber (no sentido de criar um serviço capaz de alterar todo um mercado). No entanto, a inovação também é um fator determinante na hora de decidir investir, ou não, em um novo projeto.

Para Basel, as ideias “precisam ser novas e algo que ninguém tenha tentado antes”. O investidor explicou que, para atrair seu interesse, o negócio tem de ser “inovador com pesquisa e desenvolvimento intensos que atraiam meu interesse o suficiente para que eu ao menos dê uma olhadinha”.

4) Os benefícios para a população 

Estima-se que entre 80 e 90% das novas startups falham em sua missão, sendo que aquelas poucas que atingem um grande sucesso são justamente as que buscaram resolver algum problema. É o caso da Uber, que trouxe novos meios de se locomover pelas cidades, ou, ainda, do Airbnb, que facilitou a busca por acomodações em viagens.

“Eu gosto de startups que tragam algum valor à comunidade”, explicou Basel. “Elas resolvem um problema em larga escala? Elas trazem algum benefício que uma larga porcentagem da população desejará usar? Se a resposta para as duas questões for ‘sim’, então elas terão uma chance muito maior de atrair interesse”, explicou o investidor.

5) A sustentabilidade a longo prazo

Para um capitalista de risco, o negócio só será interessante caso ele seja capaz de se manter a longo prazo. Afinal, nenhum investidor com plenas faculdades mentais injetará milhares de dólares em uma ideia que se tornará inviável, ou obsoleta, em curto prazo.

Para Basel, o negócio “precisa ser algo com longevidade suficiente para valer a pena, do ponto de vista do investidor. Uma ideia de curto prazo pode ainda ser viável e rentável, mas não do ponto de vista de um capitalista de risco”.

6) As perspectivas financeiras

Já que esses investidores se envolvem no negócio com o propósito principal de obter um grande retorno posterior com a venda de ações, naturalmente as perspectivas financeiras da empresa também são levadas em consideração na hora de avaliar uma proposta.

Quando e quanto de retorno o investidor obterá é uma análise essencial para que o investimento seja aprovado, uma vez que capitalistas de risco trabalham dessa maneira: investem em novos negócios, colhem os resultados para investir seu dinheiro em uma próxima empresa.