A Tesla demitiu uma engenheira esta semana, apenas meses depois de ela ter falado publicamente que sofria assédio sexual e discriminação de gênero na companhia. Em uma entrevista ao jornal inglês The Guardian, publicada em fevereiro, AJ Vandermeyden acusou a empresa de ignorar suas reclamações a respeito do comportamento abusivo de outros funcionários, de receber menos do que homens que executavam o mesmo trabalho  que ela e promover colegas menos qualificados em seu lugar como retaliação.

No ano passado, AJ Vandermeyden processou a empresa alegando os mesmos motivos. Ela manteve o emprego na Tesla até esta semana, quando foi demitida.

A engenheira disse que continuou trabalhando, apesar do assédio, porque acreditava na missão da companhia. “Eu sou uma defensora da Tesla. Eu realmente acredito que eles estão fazendo grandes coisas. Com isso dito, eu não posso simplesmente fechar os olhos para algo fundamentalmente errado que está acontecendo lá”, disse.

A Tesla fala

Em resposta, um porta-voz da Tesla disse ao site Gizmodo que a empresa conduziu investigações internas e externas sobre as alegações de Vandermeyden. A conclusão foi de que as queixas da funcionária não eram verdadeiras. Este ano, continuou o porta-voz, as investigações foram reabertas e levaram à demissão da engenheira.

“Apesar de ter recebido um tratamento especial repetidamente às custas dos outros, a Sra. Vandermeyden escolheu continuar buscando justiça de uma maneira enganosa ao processar a Tesla e atacar falsamente a empresa na imprensa. Depois de considerar os fatos cuidadosamente em diversas ocasiões e termos absoluta certeza que as alegações da Sra. Vandermeyden são ilegítimas, nós não tivemos outra escolha senão demití-la.” O documento é assinado por Gabby Toledano, nova chefe de recursos humanos da companhia.

Empresa divulgou um comunicado explicando a demissão da funcionária. Para a advogada da engenheira, medida foi retaliação

“A demissão foi baseada no fato de a Sra. Vandermeyden agir de maneira inteiramente falsa e enganosa de acordo com o que as provas apontam e não um resultado de retaliação [da Tesla] pelo processo. É impossível confiar em alguém depois que essa pessoa se comporta de tal maneira e, portanto, continuar a tê-la na equipe é impossível”, continua o comunicado.

A defesa responde

O documento é forte, particularmente porque o processo da ex-funcionária contra a empresa ainda está aberto. Normalmente, as companhias evitam fazer comentários quando estão em situações como esta.

Um ponto levantado pelo Gizmodo é que, apesar de a Tesla alegar que Vandermeyden não foi demitida como retaliação à ação judicial, o fato de a empresa ter questionado a integridade profissional da engenheira pode parecer uma maneira de vingança. É o que acredita a advogada contratada por Vandermeyden, Therese Lawless. A profissional é conhecida por já ter trabalhado em diversos casos de discriminação de gênero contra empresas do Vale do Silício.

Segundo Lawless, a demissão foi “uma clara retaliação” pelo processo e a entrevista. Para a advogada, a Tesla decidiu enviar um comunicado para evitar que rumores se espalhem.

Vandermeyden  começou a trabalhar na Tesla em 2013 na área de vendas e depois foi promovida e passou a atuar no departamento de engenharia, apesar de não ter diploma de engenheira. Em seguida, depois de levantar problemas com a equipe majoritariamente masculina de engenheiros, foi realocada no setor de compras. A empresa não justificou os motivos da promoção e das transferências da ex-funcionária.