Há algum tempo se discute a possibilidade de robôs substituindo humanos em alguns trabalhos rotineiros. Além das tarefas mais braçais, existem algumas atividades profissionais que, em breve, poderão ganhar amigos mecânicos. Uma dessas possibilidades é na área de recursos humanos, para a contratação de pessoas.

O maior empecilho, nesse sentido, são os próprios humanos. Ainda falta confiança nas máquinas, como aponta uma pesquisa realizada pelo Pew Research Institute, que afirma que 76% das pessoas não se candidatariam a uma vaga se soubessem que um computador seria o responsável por selecionar os interessados. Mas, com a evolução também das gerações, que estão mais acostumadas com novas tecnologias, essa talvez seja uma barreira que não exista mais daqui a um tempo.

Quais são as desvantagens?

Entrevistas são um procedimento delicado que requer uma análise de comportamento e outras minúcias que, por enquanto, somente humanos conseguem captar. Além disso, robôs ainda se baseiam em algoritmos que precisam ser aperfeiçoados e, portanto, há riscos.

Isso significa que, se uma empresa fizesse hoje um processo seletivo inteiramente por meio de computador, é possível que deixasse passar um candidato perfeito para a vaga simplesmente porque o computador não conseguiu avaliar o interessado por completo, com todas as suas nuances.

Mas tem de haver vantagens, afinal

De acordo com Rebecca Henderson, CEO da Randstand Sourceright, uma empresa especializada na contratação de talentos para grandes companhias, a automação pode ajudar a selecionar profissionais super-habilidosos mais facilmente  e rapidez é de extrema importância em diversas contratações.

A pesquisa da Pew também apontou que profissionais mais jovens estão mais propensos a aceitar uma contratação que seja feita por meio de computadores  então é possível que esse tipo de processo ganhe espaço daqui a alguns anos, quando grande parte dos integrantes da geração Z começará a entrar massivamente no mercado de trabalho.

Veredicto

O equilíbrio, como sempre, pode ser a chave. Para Rebecca, humanos sempre estarão presentes em algum momento dos processos seletivos. Mas ter computadores para avaliar nas primeiras fases de um processo pode ser vantajoso para alguns candidatos: 57% dos entrevistados pela Pew afirmam que talvez se saíssem melhor se máquinas fossem utilizadas nessas eliminatórias preliminares e que a entrevista tradicional, frente a frente com o recrutador, fosse apenas parte da última etapa, quando há uma decisão final.