Atire o primeiro like quem já passou por essa situação: você está em uma roda de conversas com colegas de trabalho ou pessoas conhecidas, porém não muito íntimas, e está ouvindo alguém falar sobre os mistérios da pesca submarina em águas glaciais. Seu desejo mais intenso seria virar um copo de gin tônica ou fugir para o mais longe possível. Ou os dois. Mas, por educação, acaba ouvindo toda a ladainha. Afinal, essa é a única forma de lidar com esse tipo de situação.

Marshall Rosenberg discorda. Formado em Psicologia, o americano é o autor de Comunicação Não-Violenta, no qual conta como a adoção de algumas técnicas de diálogo contribui para evitar atritos e rancores que aparecem quando ninguém se entende. Lançada em 2006, a obra se tornou referência no mundo corporativo. Quando assumiu o cargo de CEO da Microsoft, Satya Nadella entregou uma cópia do livro para todos os líderes sêniores da MS. A meta? Fazer da leitura parte de um movimento para melhorar a cultura interna da companhia.

Uma das técnicas indicadas por Rosenberg é exatamente essa: interromper alguém. “Não quero ser/parecer rude” é o primeiro pensamento que passa pela nossa cabeça,  mas a explicação dada pelo psicólogo faz bastante sentido — e abre a mente para, digamos, novas possibilidades: “Ao interromper [alguém], a intenção não deve ser tomar a conversa para si, mas ajudar a pessoa a dar sentido ao que está sendo falado”. Uma alternativa pode ser esperar a pessoa concluir uma parte do raciocínio, pedir a palavra e retomar o foco da conversa.

Em resumo: ajude o chato do rolê a não ser mais o chato do rolê. E agradeça caso alguém faça o mesmo com você. Além de preservar sua imagem e melhorar a qualidade das conversas corporativas, agir dessa forma o torna uma pessoa mais consciente sobre o quão relevante é a mensagem que você deseja transmitir. E o ajuda a entender em qual situação ficar na miúda é a melhor alternativa.

 

Porque interromper uma pessoa pode ser a melhor coisa que você fará por ela via The Brief