Era um dia frio de dezembro quando Jeff Weiner, CEO do LinkedIn, precisou fazer uma ligação importante. Teria de tentar convencer Reid Hoffman, cofundador da rede social dos currículos, a ir à festa de final de ano da própria empresa. Tabom que convencer alguém a ir numa festa não soa como tarefa das mais difíceis. Mas a verdade é que não só foi difícil, como Weiner falhou miseravelmente. Hoffman não deu o braço a torcer. Durante a ligação, ele chegou até mesmo a dizer que um dos motivos pelos quais contratou um CEO para o LinkedIn foi para não precisar aparecer em eventos assim. E, olha só, não é que o founder do IN seja o tipo de  pessoa que, tal qual Dona Florinda, não se mistura com essa gentalha. Ele só é muito tímido.

Analisando a carreira de Hoffman a revelação parece ser um pouco duvidosa. O cara passou três anos como VP Executivo no PayPal, ao lado de Peter Thiel, na singela missão de entrar em acordo com as operadoras de cartão. Só que uma coisa é você falar para uma sala de, sei lá, vinte pessoas. Outra é palestrar para uma galera que, ainda por cima, depende das decisões que você toma para pagar as contas no final do mês. Apesar ser a última pessoa do mundo a tentar bater papo com um desconhecido por livre e espontânea vontade, Hoffman sempre soube que ser introvertido poderia ser um fator complicado para os negócios. Durante uma entrevista para o podcast do Andrew McAfee, do MIT Sloan, ele contou qual foi a técnica que desenvolveu ao longo do tempo para lidar seu jeitinho tímido de ser.

A principal filosofia do boss é usar sua própria rede de contatos (no pun intended) quando precisa interagir com quem não conhece. Por exemplo: caso ele esteja num restaurante e algum empreendedor apareça já mandando ver num pitch de startup, Hoffman vai terminar de mastigar e explicar calmamente ao ilustre desconhecido que não vê problemas em aceitar uma reunião. Só tem uma condição. O cara vai precisar ser recomendado por alguém que o cofundador conheça. Ou então, se ele vai a um encontro com gente que nunca viu na vida, procura saber dentro da sua panelinha quem é fulano e ciclano e sobre quais assuntos poderia falar com eles.

O legal da história é que Hoffman entendeu que está tudo bem não ter nascido com o dom para ser mestre de cerimônias. Só era preciso ter alguns macetes na manga para lidar com situações que fazem qualquer introvertido arrepiar de horror. Afinal de contas, não é sempre que você pode mandar seu CEO subir no palco por você.

Como lidar com o mundo business quando se é introvertido via The Brief