Você pode não conhecer Felipe Bazon pelo nome, mas não tem como não reconhecer a importância de seu trabalho para a produção de diversos conteúdos na internet. Ele é um profissional que atua nos bastidores, com um impacto direto na forma com que um site será ou não bem sucedido em uma das formas mais eficiente de se ficar conhecido na rede: a busca do Google.

Ele é um profissional de SEO, sigla para Search Engine Optimization. Você provavelmente já ouviu essas letras: basicamente trata-se de uma série de estratégias e técnicas que fazem com que um site seja melhor posicionado nos resultados das páginas de busca.

Bazon é Gerente de SEO da SEO Marketing desde 2012 e foi o vencedor na categoria "SEO Marketing" do Prêmio Digitalks 2015, que reconhece os profissionais que mais se destacam no cenário digital. Conversamos com ele sobre o mercado atual e recebemos dicas valiosas tanto para novos produtores de conteúdo quanto veteranos da área.

TecMundo: Fale um pouco sobre a sua carreira. Como você começou na área e o que faz atualmente?

Felipe Bazon: Eu não conhecia nada de SEO quando comecei a trabalhar com isso, fui apresentado há 10 anos quando morava na Espanha e fiz um trabalho pra uma agencia na Inglaterra. Conheci o dono dessa agência, peguei o trabalho, fiz um curso e fui pegando o gosto, evoluindo. Entrei fazendo uma das funções mais metódicas, mas não menos importantes, que é o link building. Aí fui evoluindo até voltar pro Brasil e ser gerente da SEO Marketing.

O SEO não tem uma formação, são cursos das agencias. Fui meio autodidata pesquisando, vendo os principais blogs, estudando as diretrizes de qualidade do Google e me tornando um expert lendo livros de referencias, Um que me mudou foi “Marketing na Era do Google”, da  Vanessa Fox. Ele tem uma abordagem não técnica e é mais voltado para o dono de negócio. Não fica batendo em cima do que todo mundo fala, metatags, otimização. Ele abre a sua mente

Quais são as melhores dicas para quem produz o conteúdo?

O Wordpress é uma plataforma muito amigável para o Google, mas claro que precisa de ajustes. E um consultor garante que o site está redondinho na parte técnica, porque é importante respeitar diretrizes. Tem também que pensar integrado com a própria equipe de marketing e comunicação, para antes ter uma boa performance orgânica e depois fazer um trabalho mais aprofundado.

Um dos maiores mitos do SEO é que ele é um bando de “nerds” fazendo programação para o site ficar no primeiro lugar do Google. Tenho um cliente aqui hoje com mais de 2 milhões de paginas e a gente tem que entender o comportamento do robô (ou bot) para otimizar a taxa de rastreamento, só que nem por isso a gente deixa de lado a parte de conteúdo. Às vezes, vem o conteúdo de fornecedor e o pessoal do produto cadastra no CTRL+C e CTRL+V.. mas, cada caso é um caso. Muitas vezes, a pessoa fica muito preocupada com o link. Ele tem importância, mas a menção em sites importantes já é um “plus” que o Google começa a entender.

O que você recomenda para quem deseja se inteirar na área?

Para um novo empreendedor, começar a seguir alguns blogs, como o próprio site da SEO Marketing, que tem dicas bem interessantes. Vários cursos no mercado hoje dão uma boa noção e temos muitos eventos acontecem durante o ano.

Quais são os erros mais comuns de quem tenta se adequar nas estratégias de SEO?

O erro mais comum é a pessoa ler sobre SEO e entender que, se quiser aparecer, tem que dominar as palavras-chave e ficar repetindo elas no título, na descrição, no conteúdo. Isso faz com que tudo fique muito repetitivo e perca relevância com o público. Fazer algo no site porque o Google recomendou é o principal erro no começo, porque você fica preocupado em aparecer para o Google e não para o seu público-alvo.

Os robôs estão cada vez mais inteligentes, indicando sites até com base em sinônimos pesquisados. Como é esse aprendizado?

Desde que o algoritmo Panda foi lançado em 2010, ele começou a ser mais criterioso em relação ao conteúdo. É como um algoritmo que gera algoritmos. O bot simplesmente rastreia o site, mas quem faz a indexação e a classificação é o algoritmo. Ele começou a analisar com mais critério a qualidade do conteúdo, como semântica ou a utilização do sinônimo, e erros ortográficos começaram a gerar perda de relevância. Os sites com mais autoridade e reputação são os mais referenciados.

Ele é um algoritmo que começa a entender o comportamento dos usuários ou dos sites que linkam pro termo e criam filtros automaticamente. Basicamente, é o Google chegando mais próximo do usuário, utilizando todos os anos que eles têm de coleta de dados em uma evolução. Começa a ser mais humano, que é o que o Google quer.

Como o Facebook está impactando o SEO?

São plataformas opostas. Enquanto o Facebook virou uma plataforma mais publicitária, porque se uma marca quiser publicidade vai ter que pagar para ter o público, o Google continua mais como uma democracia. Se você produzir e conseguir visibilidade ou um parceiro do seu ramo, tem a possibilidade de aparecer organicamente.

Quando a gente faz um conteúdo pensando em um blog ou na divulgação de um artigo, escreve para um lugar onde você tem mais liberdade. O conteúdo voltado para o Facebook é mais compacto, reduzido, tem que trabalhar imagem ou vídeo para gerar engajamento. O usuário quando vai até o Google está em busca de alguma coisa. No Facebook, ele é impactado sem mesmo ter a necessidade. Uma complementa a outra, em todos os níveis.

O acesso mobile não para de crescer. Ele exige estratégias de SEO diferenciadas?

Exige muito. Nos últimos dois anos, aumentou bastante o número de usuários mobile. Em abril, veio uma atualização que mostra que sites não têm adaptação teriam quedas de desempenho. Mas são dois rankings, um mobile e outro desktop, e quem tinha bom desempenho no desktop manteve nele, mas pode não ter o mesmo no mobile. Em tipo de conteúdo, é a mesma estratégia. A mídia envolve outro tipo de banner e tamanho. O que muda bastante é a busca, porque o mobile ultrapassou o desktop e isso mostra uma mudança no comportamento do usuário.

Ter o site preparado é importante. E ele pode ser responsivo ou site mobile, não existe uma resposta certa. As vendas mobile ainda têm muito o que evoluir, mas com muitas marcas o primeiro contato do consumidor é mobile e isso é importante. Se o site não está preparado, o a pessoa não vai lembrar da marca e não voltar lá depois.

Fique de olho!

Ao final da entrevista, pedimos algumas dicas para Felipe. Confira os pontos mais importantes:

  • Não se preocupe tanto com a parte técnica: o SEO não é um “bicho de sete cabeças”.
  • Pense no conteúdo e não só no Google
  • Procure (ou seja) um serviço de SEO que ofereça informações e transparência ao cliente, para que ele saiba o que está acontecendo
  • Ele pode ser uma alternativa de investimento em tempos de crise, sendo um dos melhores retornos sobre investimento do marketing digital. Muitas vezes, ele é linear e os resultados são gradativos, ou seja, pode não ser necessário investir mais para continuar crescendo.

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