O impacto da tecnologia na indústria financeira é enorme. Até pouco tempo atrás, a maior parte das transações monetárias estava concentrada nas mãos de bancos e outras instituições tradicionais. Isso até startups surgirem com inovações que trazem mais facilidade ao cliente, são mais ágeis na análise de investimentos ou desburocratizam operações complicadas, como transferências internacionais. Para ficar à frente do jogo, companhias que há anos operavam da mesma maneira começaram a se aproximar de empreendedores e novos negócios — para propor parcerias, analisar novos formatos e adquirir suas operações.  

E foi assim que o termo “fintech” virou palavra da moda no mundo das startups, como escreve o analista financeiro Nikolai Kuznetsov em sua última coluna para o site da revista Entrepreneur. Quem já frequenta esse universo sabe o efeito manada que uma palavra da moda tem, então não é de se estranhar que uma porção de negócios prometendo facilitar, melhorar ou conectar a indústria financeira tenha nascido nos últimos meses — e fechado também.  

Kuznetov enumerou os aspectos a que o empreendedor deve se atentar para entrar nesse meio. Aqui vão alguns deles:

Regulamentações

Trata-se do principal motivo pelo qual a entrada de novos negócios nessa indústria é difícil. As leis que regulam o mercado foram criadas para prevenir qualquer tipo de abuso que prejudique empresas, investidores e a população no geral. Em compensação, a quantidade de requerimentos que um negócio precisa para operar no setor normalmente envolve a necessidade de um exército de contadores e advogados.              

As fintechs, no entanto, descobriram uma área cinzenta nessas regulamentações para conseguir operar. Nos Estados Unidos e na Europa, há pedidos para que essas empresas sejam aceitas como bancos de “propósitos especiais”, com a justificativa de que sua existência é de interesse público. A razão do argumento é justamente a de que fintechs nasceram para melhorar um serviço que nem sempre é fácil ou ágil para o consumidor. 

Outra questão importante é que as regulamentações mudam de país para país, algumas vezes até de estado para estado, o que torna a escalabilidade de um negócio mais complicada. 

Em alguns países, há pedidos para que as fintechs sejam reguladas como bancos de 'propósitos especiais'

Concorrência

Os bancos podem ter sentido a ameaça das fintechs, mas isso não significa que vão simplesmente aceitar a concorrência. Ainda mais porque a maior parte da inovação gerada por novos negócios não é para mudar as instituições financeiras em si, mas algumas de suas operações.  

Os bancos ainda possuem a maior parte do capital privado e têm capacidade financeira e estrutural de fazer parcerias ou adquirir esses negócios. Na verdade, esse movimento já está acontecendo. O Bank of America investiu US$ 1,5 milhão para desenvolver fintechs recentemente. Na Europa, o Santander criou um fundo para desenvolver startups com soluções em finanças.

Por aqui, o Itaú Unibanco abriu as portas do Cubo, um coworking que ajuda empresas com soluções tecnológicas. Nem todas são ligadas a finanças, mas mostram um esforço do banco em estar conectado com inovações. Como um empreendedor, é necessário descobrir se você será corajoso o suficiente para peitar os grandes players ou se prefere explorar mares mais calmos.

Confiança do consumidor

Segurança é um dos temas das principais discussões sobre tecnologia hoje. Brechas de sistemas e ataques de hackers são assuntos quentes — ainda mais depois do ramsoware WannaCrypt, mais conhecido como WannaCry, que afetou mais de 250 mil computadores em 150 países. Ser atacado e ter dados roubados é garantia de perda de clientes rapidamente, ainda mais para uma empresa nova.

Atuar com operações financeiras torna o cenário ainda mais complicado. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos pela Association of Retirement Plan Participants em 2016 indicou que apenas 8% dos americanos confiam em instituições financeiras.

Construir uma relação com o consumidor é essencial para uma fintech: a maior parte das pessoas tem pé atrás com qualquer novo serviço que peça informações bancárias ou dados importantes. O desafio aqui é  conseguir convencer a potencial clientela de que o sistema da empresa é robusto e seguro o suficiente, além de se estabelecer como um negócio transparente. 

Construir uma relação com o consumidor é essencial para uma fintech

Tecnologia

Há um número grande de novas tecnologias hypadas hoje em dia quando se fala em fintechs. Inteligência artificial e machine learning  já aparecem nas áreas de investimentos como robôs analistas, por exemplo.

Alguns bancos estudam usar chatbots para permitir que clientes confirmem informações bancárias pelo Facebook Messenger. O Blockchain, livro-razão que registra as trasações feitas com a moeda virtual Bitcoin, já é apontado por alguns especialistas como a maior ameaça aos bancos atualmente. 

Como uma startup nesse setor, é importante considerar que as novas tecnologias ainda precisam de algum tempo para amadurecer e se tornarem totalmente confiáveis. Além disso, investir naquilo em que todos estão de olho tem seu preço. Outros empreendedores estarão fazendo exatamente a mesma coisa.