O Instituto Anita Borg (ABI, na sigla em inglês), criado para ajudar a aumentar a participação de mulheres na tecnologia, anunciou o fim de sua parceria com o Uber após menos de dois anos. Em uma carta enviada à empresa de tecnologia, a entidade afirmou estar preocupada com “as alegações contínuas que o Uber enfrenta a respeito do tratamento dado às mulheres que trabalham na empresa.”

O negócio fundado por Travis Kalanick entrou em contato com o ABI em 2015. O instituto tem como missão ajudar na retenção e crescimento de profissionais mulheres em postos de trabalho ligados à tecnologia, por meio de programas de inclusão e de recrutamento. “Tínhamos preocupações com a reputação da companhia, mas abrimos um canal de diálogo com a liderança do Uber mesmo assim”, explicou o instituto ao Mashable

Entidade afirmou estar preocupada com as alegações contínuas que o Uber enfrenta a respeito do tratamento dado às mulheres que trabalham na empresa

Desde que a parceria foi fechada, contudo, nada mudou no Uber - o que foi descrito pelo instituto como “falta de engajamento”.  

Ao contrário do que o ABI esperava, a empresa não só não contribuía para a inclusão de mulheres em cargos de engenharia, como apoiava e protegia a existência de uma cultura de assédio. 

Em fevereiro deste ano, a engenheira Susan Fowler escreveu em seu site sobre a experiência de trabalhar para o Uber. Ela afirmou ter sido asseadiada por um gerente pouco após ter sido contratada. Após reportá-lo à empresa, ouviu da equipe de recursos humanos que ela teria de mudar de área ou se conformar com o fato de que o sujeito poderia fazer uma avaliação ruim dela no relatório de desempenho do time.  

Outra história polêmica aconteceu durante uma viagem à Seoul, na Coreia do Sul. Kalanick e outros executivos levaram funcionários da empresa para um bar de karaokê, onde contrataram acompanhantes.

Tudo isso, segundo o instituto, contribuiu para a decisão de terminar a parceria com o Uber. 

Em resposta, o Uber afirmou que trabalha duro para mudar sua cultura. “Sabemos que temos muito trabalho pela frente e que, apesar de estarmos surpresos com a decisão, estamos comprometidos a manter contato com o ABI”, escreveu Komal Mangtani, líder de engenharia no Uber, em um comunicado.