Para grande parte dos empreendedores ou entusiastas do segmento de startups, é sempre uma oportunidade de ouro poder ouvir relatos de quem “chegou lá” e pode dar uma palhinha da sua experiência ao longo do caminho para o sucesso. Durante a Campus Party 2016, um dos grandes nomes do mercado a se apresentar aos campuseiros foi Rogerio Takayanagi, o atual CMO da TIM no Brasil, que trouxe uma palestra com tema bastante provocante: The Next Billionaire (O Próximo Bilionário).

Quem esperava por um guia detalhado de como chegar ao seu primeiro bilhão – como se isso fosse realmente possível de reproduzir a partir de uma receita – acabou se deparando, na verdade, com um discurso bastante sóbrio de como a tecnologia consegue afetar igualmente os negócios e a própria sociedade. Subindo ao palco Inovação na tarde do último dia 28 de janeiro, o profissional da operadora de telefonia deu início ao bate-papo falando sobre a diferença na medida de sucesso entre as gerações.

Hoje com 41 anos, Rogerio revelou que se tornou diretor de marketing da TIM aos 34, atingindo um patamar considerado como privilegiado por muitas pessoas mais tradicionais, adeptas da mentalidade de estudar muito, trabalhar igualmente duro e conseguir um alto cargo em uma grande companhia. Se essas exigências forem seguidas ao pé da letra, alguém capaz de decidir o preço de tarifas de celular, alterar planos e, efetivamente, influenciar o mercado nacional se encaixa perfeitamente nesse tipo de papel.

Ele lembra, no entanto, que os tempos mudaram e que a tecnologia é capaz de “bagunçar” completamente esse cenário e mudar paradigmas. “Essa nova geração não precisa estar em um cargo no topo. Eles fogem das regras para definir seus próprios valores e também seus problemas”, analisou. Qual o resultado disso? Uma percepção consideravelmente diferente sobre temas como sucesso e poder. Uma ideia inovadora aplicada em um momento certo, por exemplo, pode ter um peso enorme na vida de outras pessoas.

Mudanças rápidas

Se aprofundando um pouco nesse conceito de influência global, o CMO explicou como o fato de se tornar pai acabou abrindo seus olhos para essa nova fase do mercado. “Filhos são provavelmente um dos sistemas mais complexos que existem”, brincou Rogerio, comparando diversas etapas da infância com implementações e adaptações de hardware e software: “Você nunca consegue dominá-los”. Cada vez que ele aprendia a lidar com comportamentos e manhas de seus garotos, eles aprendiam outra coisa ou pulavam para outros estágios.

Quem foi capaz de exercer um efeito apaziguador nas crianças? Se você pensou em Minecraft, está certíssimo. “Um cara lá do outro lado do mundo, na Suécia, cria um jogo incrível de bloquinhos que consegue influenciar meus filhos aqui no Brasil, atraindo totalmente a atenção deles e fazendo com que eles fiquem vidrados no tablet”, confessou ao falar do trabalho mais famoso de Markus "Notch" Alexej Persson. A sacada do executivo foi perceber que essa influência à longa distância é uma espécie de guarda compartilhada com o mundo.

Para ele, hoje, o novo bilionário não é aquele que consegue acumular uma riqueza enorme em pouco tempo, mas sim aquele empreendedor que tem a capacidade de impactar positivamente na vida de bilhões de pessoas. O conceito é altamente estruturado em cima de como a tecnologia, em geral, funciona nos tempos atuais, com ferramentas robustas, de fácil uso e, acima de tudo, acessíveis financeiramente – fazendo com que projetos não fiquem atrelados única e exclusivamente a grandes marcas.

Influência e responsabilidade

“Não é mais preciso ‘chegar lá’ para ser alguém influente e com poder de decisão”, refletiu o diretor da TIM. Para provar seu ponto, ele citou o caso da ONG Kiva, que foi iniciada em 2005 com a proposta de fornecer microfinanciamento para causas por todo o mundo. Diferentemente de sites de crowdfunding, a proposta não é doação, mas sim empréstimo – com o dinheiro tendo prazo para ser reposto ao financiador. Em seus primeiros meses, o empreendimento rendeu apenas sete transações no valor de US$ 25 cada. Um fracasso? Não exatamente.

Como esses empréstimos foram devidamente pagos ao fim do período, o serviço chamou atenção de mais pessoas, até ser veiculado na TV, em 2006, nos EUA. Isso deu o impulso necessário para que a troca de moeda se intesificasse, atingindo as mais diversas regiões do planeta, dando suporte a todo tipo de necessidade e movimentando centenas de milhões de dólares em negociações temporárias. “Uma ideia bem concebida com boas razões por trás. Pessoas desconhecidas que tiveram um enorme impacto no mundo”, frisou Rogerio.

“Obviamente a tecnologia serve para o bem e para o mal”, lembrou. A frase serviu para explicar que esse poder e influência mais acessíveis, potencializados pela tecnologia, também trazem uma série de responsabilidades. Os drones, por exemplo, podem ser utilizados para entrega de mantimentos e busca por cidadãos desaparecidos ou, caso sejam equipados com mísseis, enviados para acabar com muitas vidas.

De acordo com o chefão de marketing da operadora, a mesma linha de raciocínio vale para um dispositivo bastante badalado hoje em dia: a impressora 3D. Basta ver que esse equipamento pode ser aplicado na criação de próteses para deficientes físicos ou usado para imprimir uma arma de fogo letal a partir de fios de plástico. “A tecnologia não tem ética, a ética é dos seres humanos”, alertou Rogerio ao fim de sua palestra. E aí, será que a sua ideia de empreendimento tem o que é necessário para que você se torne um novo bilionário?

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