O Centro de Tecnologia da Informação Aplicada (GVcia) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou recentemente os resultados da 27ª pesquisa anual sobre o mercado de TI no Brasil. Segundo os dados revelados, o país parece ter seguido a tendência mundial de queda nas vendas de PCs no ano passado, o que representou a primeira vez na história que esse valor sofreu diminuição por dois anos seguidos.

Realizado em 8 mil grandes e médias empresas e com 2,5 mil respostas válidas, o estudo constatou que o país fechou 2015 com um total de 14,2 milhões de computadores comercializados, número 30% menor do que o do ano anterior. As estimativas quanto a 2016, no entanto, preveem aumento de 7%, chegando a 15,2 milhões de PCs vendidos.

Curva do crescimento do total de computadores em uso no Brasil ao longo dos anos

Hoje, a base instalada de computadores em uso por consumidores e empresas, segundo a FGV, é de 155 milhões de máquinas. Até o final do ano, a instituição espera que esse montante chegue a 166 milhões, levando o Brasil a ter quatro PCs para cara cinco habitantes. Caso as previsões atuais sejam mantidas, esse valor chegara 210 milhões entre 2019 e 2020, levando a uma taxa média de um computador por habitante brasileiro.

Ascenção dos dispositivos móveis

A pesquisa também avaliou a quantidade atual de dispositivos móveis capazes de se conectar à internet que estão em uso no Brasil. Considerando smartphones, notebooks e tablets, hoje existe um total de 244 aparelhos do tipo em uso no país, com a média de 1,2 por habitante. Desse montante, 71% é formado pelos celulares inteligentes, que aparecem com uma quantidade de seis para cada tablet.

No território tupiniquim, a percentagem de computadores, TVs e aparelhos telefônicos (não somente smartphones) por habitante permaneceu acima das medias mundiais. Enquanto o total de pessoas com PCs no planeta é de 60%, por aqui 78% possuem um aparelho do tipo – nos Estados Unidos o valor é de 144%.

Curva do crescimento do total de dispositivos móveis wireless (notebooks, smartphones e tablets) em uso no Brasil ao longo dos anos

A situação se repete no que diz respeito aos fones e às TVs, com o mundo apresentando médias respectivas de 110% e 80%, o Brasil de 145% e 106% e os EUA  de 155% e 150%. Considerando essas três categorias de dispositivos, hoje temos 1,6 aparelhos para cada habitante do país. A espectativa é que esse valores continuem crescendo e cheguem a 2 dispositivos por brasileiro entre 2017 e 2018.

Domínio da Microsoft

No mercado corporativo, a Microsoft continua com grande dianteira sobre suas concorrentes. Entre os sistemas operacionais nos servidores de empresas, 72% são Windows, 16% Linux, 7% Unix e semelhantes e 5% para os demais. Segundo o professor Fenando S. Meirelles, responsável pela pesquisa, a tendência é que as plataformas Unix sejam absorvidas pelo Linux, que por isso consegue se manter estagnado perante o avanço do Windows.

Total de sistemas operacionais ativos nas empresas brasileiras em 2015 e 2016

Quanto aos softwares do conjunto Office e seus navegadores, a Microsoft também permanece na dianteira. O Excel tem 93% da fatia das planilhas eletrônicas, Access e SQL dominam 48% dos bancos de dados dos usuários finais e 30% nos servidores – onde perdem para os 41% da Oracle –, os browsers Explorer e Edge são 84% dos ativos nas empresas e 75% das contas de email usam serviços da Gigante de Redmond.

As estatísticas confirmam a predominância da Microsoft, que lidera o mercado de softwares nas estações de trabalho há 20 anos e responde por mais de 90% do uso. No entanto, Meirelles aponta para o crescimento de concorrentes e o surgimento de novas opções como indícios de que uma ruptura está no horizonte, pondo em risco a situação atual da líder do mercado.

No que diz respeito à utilização de softwares de inteligência analítica, a SAP domina com 26% do total de empresas, seguida pela Oracle com 21% e Totvs com 16%. Já nouso de sistemas integrados de gestão, a Totvs toma a dianteira com 35%, acompanha pela SAP com 31% e Oracle com 15%. As estatísticas totais e sua divisão em empresas classificadas pelo número de teclados podem ser vistas nos gráficos abaixo:

Divisão atual dos mercados de softwares de Inteligência Analítica e Sistemas Integrados de Gestão

Investimentos estáveis

Mesmo com o cenário extremamente adverso causado pela crise econômica e política brasileira, o estudo indica que os gastos e investimentos das médias e grandes empresas com TI conseguiram se manter estáveis em 7,6%. Separado por setor, esse valor foi de 10,9% para a área de serviços, 4,6% nas indústrias e 3,5% no comércio.

Segundo o estudo da FGV/EAESP, dados da última década indicam que, nas empresas de capital aberto, cada ponto percentual extra entre os gastos e investimentos com TI invariavelmente resultou em um aumento de 7% no lucro das companhias após 2 anos.

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