A operação que dissolveu a Cracolândia, na região central de São Paulo, ganhou manchetes pelo mundo nas últimas semanas. O tema foi citado até pelo empresário Richard Branson, que visitou o Brasil recentemente. Uma das questões que preocuparam muitos especialistas foi a evasão de dependentes químicos e traficantes para outros pontos da cidade, criando novos centros de tráfico. Foi o que aconteceu.

Atualmente, há 23 minicracolândias espalhadas pela cidade. A maior delas, contudo, não fica muito longe da original. Entre 24 e 26 de maio, quando a operação esquematizada pela prefeitura e pelo governo do estado se deu, o número de usuários de drogas reunidos na Praça Princesa Isabel, no bairro Santa Cecília, mais do que dobrou e chegou a 600.

Doria

O que muita gente não sabia até agora é que essa população está sendo vigiada, 24 horas, pela equipe de segurança da cidade, por meio de drones. Esse foi um dos temas abordados pelo prefeito João Doria, durante o Ciab Febraban, congresso realizado pela Federação Brasileira de Bancos sobre tecnologia para instituições financeiras.

“Os traficantes podem não saber, mas então vão saber agora: estamos vigiando [a Praça Princesa Isabel] 24 horas por dia com os drones”, afirmou Doria, durante painel nesta terça-feira (6). Segundo ele, a prefeitura recebeu cinco drones de duas empresas chinesas – um da fabricante Dahua e quatro da DJI Phantom. “São drones de alta tecnologia, de R$ 350 mil, com câmeras de alta capacidade.”

Empreendedorismo

Doria também falou sobre a implantação de Poupa Tempo digitais nas periferias da cidade, como uma maneira de incentivar o empreendedorismo. “Hoje, 73% dos jovens não querem ter um emprego. Eles querem empreender, ser donos de seus negócios”, afirmou o prefeito. O dado é de um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas. De acordo com o prefeito, o foco da operação será nas regiões Leste, Oeste e Sul de São Paulo. 

Ele falou também sobre a necessidade de apoio dos bancos, com maior oferta de microcrédito para novas empresas. “Queremos que as instituições financeiras acreditem nisso, criando iniciativas para a formação, o convívio [empreendedor] e o microcrédito."