Ao que parece, mesmo que o negócio tenha atraído os olhares de diversas gigantes do setor de eletrônicos, a Toshiba vai manter a sua divisão de memórias em terras japonesas. Isso deve acontecer porque, segundo um comunicado emitido nesta semana, a companhia decidiu dar preferência aos lances de compra dados por um consórcio formado pelo governo nipônico e outras 26 empresas do país em detrimento de outras ofertas vindas do exterior.

Com isso, a ideia é que a venda seja fechada até o final deste mês e que a passagem de bastão ocorra em meados de março de 2018 – dando tempo para que toda a tramitação legal aconteça. A ideia de dar prioridade aos players locais faz bastante sentido para a indústria japonesa como um todo, já que, desde 2009, a Innovation Network Corporation of Japan (INCJ) – uma das líderes do consórcio – vem trabalhando para revitalizar o setor de informática no Japão, tendo absorvido nesse período as divisões de LCD da Sony, Toshiba e Hitachi.

No entanto, é claro que o orgulho e o tradicionalismo japonês também contaram pontos para essa decisão fosse tomada, e isso ficou bem claro em um trecho do texto publicado pela própria Toshiba. Para eles, a proposta do grupo local é a melhor “não apenas em termos de avaliação, mas também em relação à certeza de fechamento [do negócio], retenção de funcionários e permanência de tecnologia sensível dentro do Japão”.

O consórcio japonês ofereceu cerca de US$ 17,9 bilhões

Enquanto o consórcio japonês ofereceu cerca de US$ 17,9 bilhões pela divisão de memórias da empresa, marcas como Foxconn e Western Digital fizeram propostas de US$ 18 bilhões cada. A Broadcom, uma fabricante norte-americana de chips, porém, foi quem deu o maior lance até agora: US$ 20 bilhões. Vale notar, no entanto, que a Foxconn pode se fortalecer até o final dessa novela corporativa, já que a empresa conta com o suporte de nomes como Apple, Dell e Kingston, e seu CEO sugere até que Amazon, Alphabet, Microsoft e Cisco se juntem ao time para compartilhar dos “espólios”.

Tudo ainda pode mudar

Seja como for, é quase certo que a Toshiba está prestes a fazer um ótimo negócio e deve juntar capital suficiente para compensar as perdas anuais de cerca de US$ 9 bilhões com outros setores menos prósperos. Como a companhia é a segunda maior produtora de módulos de memória do mundo, ficando atrás apenas da Samsung – que dificilmente deve se desfazer de uma de suas divisões mais lucrativas –, fica fácil entender o motivo de tanta comoção no setor de informática, que tem uma demanda cada vez maior pelo componente.