Você já deve ter pelo menos ouvido falar de bitcoin, uma das primeiras moedas virtuais que surgiram na Internet. Foi ela a responsável por abrir as portas para outras cryptocurrencies.

Mais do que isso, a bitcoin foi a “mãe” de uma tecnologia completamente nova que possibilitou a criação da Ethereum. Mas o que é isso exatamente? 

Basicamente, a Ethereum é uma plataforma descentralizada que roda contratos inteligentes. Não clareou nenhuma idéia, né?

Vamos por partes. Primeiro, vamos definir como a Ethereum funciona. Sendo uma plataforma descentralizada, significa que vários computadores mantém a rede funcionando e formam uma mesma base de informações. Essas máquinas podem alimentar a plataforma com poder computacional usado nas operações.

Quem contribui com tal poder computacional é chamado de minerador - sim, da mesma forma que os criadores de bitcoin. 

A cada 12 segundos, em média, uma máquina da plataforma gera um bloco com informações sobre as transações efetuadas na rede. Esse bloco é acrescentado na blockchain e a máquina responsável por ela é “presenteada” com 5 ethers pela sua contribuição.

A ether, nesse sentido, é conhecida pelos participantes da plataforma como “token”. É ela que permite que os usuários da Ethereum façam transações, mantenham aplicativos. Ou seja, basicamente qualquer coisa que se faça dentro da Ethereum e que necessite de pagamento, ele é feito com ether.

Em uma ICO, ou Oferta Inicial de Moedas, por exemplo, que é como se fosse uma rodada de investimentos só que feito em moedas virtuais, todo interessado em contribuir com a oferta precisa trocar suas moedas por ether.

Apesar da ether ser classificada como uma criptomoeda, ela foi concebida para funcionar como um “combustível” que mantém o funcionamento da rede Ethereum. 

Ela tem um valor, claro, mas os seus criadores não veem ela como uma concorrente direta do bitcoin. A ether, portanto, é “uma forma de pagamento feita por clientes da plataforma às máquinas que executam as operações solicitadas”, define a Ethereum Foundation.

Outras utilidades

Na Ethereum também é possível que os participantes da rede hospedem e acessem aplicações - conhecidas como contratos inteligentes.

Esses contratos são desenvolvidos para serem programáveis. Ou seja, quando confeccionado, ele tem uma tarefa a ser cumprida e, quando as condições pré-programadas são alcançadas, o contrato roda automaticamente, sem a possibilidade de interferências.

No futuro, a ideia é que a Ethereum possa ser usada em outras situações mais abrangentes, com o intuito de garantir integridade e trazer mais segurança.

“Você pode pensar na Ethereum como uma rede distribuída programável. O fato de a Ethereum ser, em sua própria concepção, resistente à fraude e à adulteração, significa que ela oferece uma ampla gama de soluções para problemas diários que são atualmente resolvidos com grandes despesas”, comenta Stephan Tual, ex-diretor de operações da Ethereum e fundador da Slock.it.

O especialista explica que, nesse sentido, a Ethereum poderia ser usada para máquinas para votações, registros de nome de domínio, registro de documentos legais, e até mesmo para transferência de bens entre indivíduos.