O Google vem sendo eleito nos últimos 11 anos como o melhor lugar do mundo para se trabalhar. Já parou para se perguntar o porquê? Laszlo Bock, ex-chefe de Recursos Humanos da empresa conta que a chave deste sucesso é levar em conta o lado humano do profissional antes de contratá-lo.

Segundo o executivo, a empresa passa para seus líderes de RH a importância de se levar em conta informações do mundo real de cad candidato, não se prendendo apenas aos seus currículos, notas e graduações. 

Desde que saiu do Google, Laszlo vem compartilhando seu conhecimento na área e as principais características de como a companhia lida com seus funcionários através de livros e palestras em todo o mundo. Veja a seguir alguns dos pontos mais citados pelo ex-chefe de RH.

Seja consistente

Grandes companhias com diversas equipes em algumas vezes acabam batendo cabeça por falta de comunicação. Às vezes uma está fazendo o mesmo trabalho que a outra, ou simplesmente se atrapalhando.

Percebendo isso, o Google decidiu passar para os seus líderes a necessidade de deixar todo mundo ciente do que está sendo feito. Ao serem consistentes e justos nas tomadas de decisões, os gerentes inspiram um elemento de previsibilidade que é possível ser notado pelos funcionários. Desta forma, todos experimentam um sabor de liberdade que contribui para melhor performance das equipes.

Para Bock, os empregados sabem que podem fazer o que quiserem dentro dos parâmetros estabelecidos pelas lideranças. Ao estar em todos os lugares cobrando de forma intensa, o gerente irá impedir a leitura da situação pelo time, produzindo uma experiência restritiva e frustrante para todos. 

Tenha uma missão moral, não empresarial

A missão do Google é “organizar as informações do mundo todo e torná-las universalmente acessíveis e úteis”. Quando se compara esta com outras missões de algumas empresas, é fácil perceber que não há descrição que remeta a lucro, ações ou mercado. Não é passado o porquê a empresa tem essa missão ou o motivo pelo qual luta por estes objetivos.

“Este tipo de missão dá significado ao trabalho dos indivíduos, porque é um objetivo moral e não comercial”, explica Bock. “Os movimentos mais poderosos da história tiveram motivações morais, sejam missões de independência ou direitos iguais,” continuou. Para mentes geniais e que buscam ver significado na sua força de trabalho, a missão do Google se encaixa perfeitamente como um fator motivacional extremamente forte.

Compartilhe tudo

A transparência é uma das principais características do Google. Ao começar na empresa, um engenheiro já tem acesso a todos os códigos da gigante da tecnologia. Funcionários recebem relatórios de status semanais, objetivos trimestrais, planos de lançamento e objetivos trimestrais de cada funcionário da companhia. Todos sabem o que todos fazem. 

Esta liberdade inspira os empregados a compartilha tudo pois confiam uns nos outros para manter toda a informação da empresa confidencial. Não há temor de vazamentos. Já em relação a outras companhias mais tradicionais que prezam por esconder suas informações do restante das equipes, este conceito é um verdadeiro absurdo.

O compartilhamento de informações gera um espírito de equipe mais saudável e livre de sentimentos negativos dentro do ambiente profissionais. “Esta prática permite que todos compreendam as diferenças nos objetivos em diferentes grupos, evitando rivalidades internas”, completou Bock.

Dê espaço para os funcionários falarem

A voz é um fator fundamental dentro das equipes do Google. A empresa acredita que as pessoas contratadas são perfeitamente confiáveis e boas, todas perfeitamente capazes de opinar nos assuntos e principalmente nas decisões. A prática, por sinal, foi criada pelos seus funcionários.

Os Googlers, como são chamados os empregados da companhia, viram uma explosão de funcionários nos escritórios em 2009. Com o crescimento das equipes, alguns reclamaram de dificuldades de manter as políticas previamente adotadas e também de cumprir alguns trabalhos.

Reconhecendo as dificuldades destas pessoas, o Google decidiu dar uma voz mais ativa aos responsáveis pelas reclamações e criou o “Bureaucracy Busters”, um grupo onde os Googlers identificam suas maiores frustrações e prestam ajuda entre si para resolvê-las.

Ao contratar alguém, notas não são parâmetros

O Google não dá importância para as notas ou graduações de seus profissionais na maior parte dos casos. Para Bock, o aprendizado fora da empresa pouco influencia o desempenho do candidato após ser contratado. Ao todo, 14% dos funcionários da empresa sequer cursaram uma faculdade.

“Depois de dois ou três anos, sua capacidade de atuar no Google não tem relação com a forma como você se apresentou quando estava na escola, porque as habilidades que a faculdade exige são muito diferentes. As pessoas também mudam. Você aprende e cresce, você pensa sobre as coisas de maneira diferente”, completou o ex-diretor de RH da empresa.