Ontem mesmo publicamos uma matéria falando sobre uma possível solução que tinha sido encontrada para trazer estabilidade para a bitcoin, que estava prestes a ser quebrada em duas criptomoedas distintas.

Tudo parecia um pouco mais tranquilo, especialmente porque o valor da moeda até subiu e, finalmente, a rede poderia ter sua capacidade ampliada. Ao menos era isso que se esperava com a aprovação da Bitcoin Improvement Proposal 91.

A BIP 91 era a dita solução para evitar o tal "hard fork", ou a divisão da criptomoeda. Mas parece que a proposta deixou de oferecer um dos pontos mais importantes para a rede: expandir o tamanho do bloco - o que, alguns defendem, é o que realmente traria a possibilidade de aumentar o limite do número de transações feitas pela rede.

Por conta dessa reviravolta, uma nova proposta está surgindo e ela, aparentemente faz com que tudo volte ao ponto inicial. Ou seja, a moeda pode, sim, se dividir em duas no dia 1º de agosto.

São os novos desdobramentos para aquela "ciberguerra" que tinha se instaurado entre mineradores de bitcoin e desenvolvedores principais da tecnologia. Mas, aparentemente, os ânimos estão menos exaltados desta vez.

Nos últimos anos, a discussão girava em torno de se o tamanho do bloco deveria ser aumentado ou não. E, em caso positivo, para quanto.

A briga agora é a seguinte: o BIP 91 promete duplicar o número de transações sem, essencialmente, mexer no tamanho do bloco - que possui 1 megabyte. A proposta consegue alcançar esse feito com a introdução de um protocolo chamado Segregated Witness, ou SegWit, para os íntimos. É um tipo de hack que aumenta o potencial do bitcoin, por assim dizer.

E voltamos à guerra civil dos bitcoins...

Qual o problema, então? Já que a SegWit não mexe no código, alguns mineradores acham que isso não está certo e a solução é um “tapa buraco” que pode, inclusive, diminuir o valor da rede como um todo.

O principal ponto da argumentação desses mineradores é que a SegWit pode abrir caminho para uma “segunda camada de soluções”, as quais podem permitir transações rápidas e volumosas fora da rede do bitcoin - ou seja, basicamente a maior parte das transações passam a ser feitas por fora.

Explicado tudo isso, vamos à segunda alternativa ao hard fork, que não tem nada a ver com o BIP 91. Ela recebeu o nome de “bitcoin cash” e tem como objetivo servir como uma rede de pagamento.

Só um adendo aqui: muitas pessoas veem o bitcoin como um meio de pagamento, porque ela pode ser, de fato, usada para compras. Mas a moeda digital ainda não pode ser usada como um dinheiro real, trocado por um café no Starbucks, por exemplo. Por quê? Por tudo o que falamos até agora: as transações são demoradas e é por isso que sua capacidade precisa ser ampliada, e é por isso que essa discussão toda está rolando.

Mas, voltando ao bitcoin cash. Se aderida, a nova proposta visa ampliar o limite do tamanho do bloco em oito vezes - isso no 1º de agosto.

Dessa forma, o bitcoin se tornaria uma moeda que pode ser usada por todos, de forma fácil - ideia radicalmente contrária a daqueles que enxergam o bitcoin como um ouro digital, com alto valor e intocável.

"Bitcoin Cash traz dinheiro para o mundo. Os comerciantes e usuários são habilitados com baixas taxas e confirmações confiáveis. O futuro brilha intensamente com o crescimento irrestrito, a adoção global, a inovação sem permissão e o desenvolvimento descentralizado", descreve o site do bitcoincash.org, falando sobre a proposta.

Além disso, o site também aponta que o bitcoin cash irá surgir a partir daqueles que aderirem à proposta especificada no User Activated Hard Fork (UAHF). “Aqueles que não querem seguir nossa liderança, estão livres para usar quaisquer chains que queiram. Mineradores que implementarem a UAHF se separarão com segurança, criando uma nova versão do bitcoin chamada ‘Bitcoin Cash’”.

Caso seja ignorada por mineiros, o bitcoin cash simplesmente irá desaparecer.