ICO. Se você parou neste texto, provavelmente quer aprender mais sobre o que essas três letrinhas significam. Do inglês, ICO é a abreviação para Initial Coin Offering: oferta inicial de moedas.

E ela funciona basicamente como um IPO, que é a sigla para Initial Public Offer, ou oferta pública inicial, em tradução, que é quando uma empresa abre seu capital na bolsa de valores - só que o ICO, no caso, é feito com moedas virtuais. Além disso, também é possível identificar algumas características de crowdfunding dentro desse tipo de operação.

Mas, antes de continuar o assunto, talvez você também queira saber um pouco sobre as chamadas criptomoedas (caso não queira, é só pular a próxima parte e já ir direto para o final do texto).

Bitcoin, a pioneira

O bitcoin é uma moeda virtual aceita atualmente por diversos locais como forma de pagamento, assim como dinheiro e cartão de crédito. Ela foi a primeira, e ganhou notoriedade de forma a abrir caminho para o surgimento de outras do tipo, conhecidas como criptomoedas - como a litecoin e a ether (que é, hoje, um dos principais concorrentes do bitcoin e cujo valor de venda cresceu mais de 5.000% desde o início deste ano).

O seu surgimento data de 2009, mas não se sabe ao certo quem a criou - Satoshi Nakamoto é o pseudônimo do autor da tecnologia, mas não se sabe com 100% de certeza se ele é um indivíduo único ou um grupo de indivíduos que se autodenominaram assim.

Esse tipo de dinheiro virtual permite que transações sejam feitas de forma anônima e de maneira segura, já que utiliza chaves de criptografia para envio e recebimento. Também por isso, ela é conhecida por ser comumente utilizada em transações arbitrárias como compra e venda de armas e drogas - mas não vamos entrar nesse mérito.

Atualmente podemos contabilizar quase 100 tipos de moedas virtuais, entre as ativas e algumas já desativadas.

De uma maneira bem simplificada de se explicar, essas moedas são formadas a partir de uma rede de computadores descentralizada, ou seja, várias máquinas são usadas para criar e confirmar a existência de um bitcoin. As pessoas que fazem esse tipo de trabalho são chamadas de mineradores - uma analogia, tal qual os que buscam ouro em minas.

Esses mineradores resolvem equações matemáticas que resultam em um hash, ou uma sequência de números e letras que servem como um código para garantir a integridade das criptomoedas.

E todas essas operações são registradas em um “livro” conhecido como blockchain. Quando mais de 50% da rede confirma que uma moeda está sendo criada - também conhecido como consenso -, então a operação é validada. Também é por esse motivo que é mais difícil fraudar o sistema, afinal, uma vez inserida a informação dentro da blockchain, nenhum usuário consegue apagar ou modificar tal registro.

Voltando ao ICO…

Agora que você tem a base, podemos falar sobre a oferta inicial de moedas. A ideia do ICO é criar um fundo de investimentos para novos negócios que queiram entrar no ramo das criptomoedas.

Também chamado de crowdsale, a operação funciona como uma rodada de investimentos. Como em um crowdfunding, a empresa que abre um ICO coloca um valor máximo necessário para que o seu negócio seja viabilizado e interessados podem contribuir - em troca eles compram uma porcentagem do negócio em criptomoeda, chamado de tokens.

Os tokens funcionam como ações de uma empresa. Mas, diferentemente de um IPO, comprá-los não torna os donos desses tokens acionistas.

Também como no crowdfunding, as ofertas possuem uma data de expiração. Se o valor necessário não for arrecadado até a data limite, o dinheiro levantado é devolvido aos participantes.

Geralmente, a companhia responsável pelo ICO disponibiliza um número limitado de tokens para serem vendidos. E, uma vez que a operação é encerrada, os tokens podem ser utilizados no mercado normalmente.

Sim, eles possuem um valor determinado e podem facilmente dobrar esse número caso o ICO tenha sido bem-sucedido. Eles podem, inclusive, ser trocados por serviços: um token vendido pela empresa Storj, por exemplo, que é uma companhia que vende storage descentralizado, pode ser trocado por… espaço de armazenamento, claro.

A tecnologia por trás do armazenamento

Tá. Mas, como que todas essas transações, provenientes de uma operação de ICO, são possíveis? É aí que entra o Ethereum, a plataforma mais popular de contratos inteligentes utilizada no ramo de criptomoedas - mas não necessariamente a única.

A Ethereum, operadora responsável pela criptomoeda ether, atua como a mediadora da operação. Ou seja, é por lá que as vendas e compras de tokens são realizadas.

É importante ressaltar também que tudo o que foi dito acima não é regra. É apenas uma forma de entender melhor como funciona um ICO. Mas as regras para cada operação podem ser ligeiramente diferentes umas das outras, então é sempre bom ler os termos antes de participar de uma rodada de investimentos como essa.

Também vale ressaltar que usuários comuns dificilmente conseguirão participar de um ICO. Isso porque, da mesma forma que moedas virtuais são feitas, as ofertas iniciais de moedas precisam estar em uma rede gigantesca - que no caso do exemplo é a Ethereum -, o que também significa que milhares de participantes estarão on-line a postos para tentar entrar.

Sabe quando tem o show daquela banda que nunca vem para o Brasil e os ingressos esgotam em segundos, mas não antes de ter um sistema congestionado de pessoas enlouquecidas para conseguir o tíquete antes que acabe - no melhor estilo AC/DC em 2009, sabe? É mais ou menos isso que acontece.

Mais alguns dados

Cada vez mais o universo das criptomoedas fica mais dinâmico e complexo. Novas cryptocurrencies são incluídas nos processos e outras deixam de existir, além do surgimento de novos players devido ao crescente interesse por essas moedas virtuais.

Nessa toada, o mercado de criptomoedas bateu a marca de US$ 27 bilhões em abril deste ano, de acordo estudo feito pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido. A pesquisa analisou dados coletados de 144 companhias de criptomoedas e 30 mineradores individuais de 38 países em cinco regiões do mundo.

Hoje, o bitcoin ainda representa a maior fatia do mercado, sendo usada em 98% das transações analisadas, seguida pelo ether (33%) e pela litecoin (26%).

Em maio de 2017, o bitcoin bateu uma marca histórica e chegou a valer US$ 2,4 mil, ou cerca de R$ 10 mil.