Sabemos que Jeff Bezos tem uma queda por criar novos negócios (ou comprar empresas que permitam que ele se infiltre em outras vertentes de mercado)  isso não é segredo. Mas o que pode não ser de conhecimento de muitas pessoas é que a Amazon tem uma coleção de marcas cuja existência quase ninguém conhece.

Quando a Amazon.com foi lançada, as pessoas acessavam o marketplace especialmente para encontrar produtos de marcas conhecidas. Mas, depois de um tempo no mercado, com um nome mais sólido, Bezos decidiu cortar fornecedores e, claro, vender seus próprios produtos.

Sob o guarda-chuva da AmazonBasics, a empresa começou a entregar os mais variados itens, de iPhones a baterias, mochilas, e o que mais o seu coração estiver buscando  sério.

A estratégia é: se um produto está vendendo bem, que mal há em oferecer uma alternativa à marca conhecida? Dessa forma, cortando uma das partes da cadeia e trabalhando diretamente com fabricantes, a Amazon passa a oferecer itens mais baratos e isso também é um atrativo.

Seguindo essa premissa, diversas marcas começaram a surgir dentro da plataforma da empresa. Mas, diferentemente do que muitos podem pensar, elas não existem fora do ecossistema criado pela varejista.

Em um levantamento realizado pela Quartz, a publicação identificou 19 marcas pertencentes à Amazon, as quais vendem itens diretamente na plataforma ou possuem uma página própria dentro do marketplace: Beauty Bar (cosméticos), Denali (ferramentas), Strathwood (móveis), NuPro (acessórios eletrônicos), Happy Belly (comida natural), Single Cow Burger (comida congelada), Myhabit (bens de consumo), Small Parts (peças de reposição), Pike Street (roupa de cama), Pinzon (by Amazon) (também roupa de cama, mesa e banho), Franklin & Freeman (calçados masculinos), Smart is Beautiful (roupas), Arabella (lingerie), Mae (roupas íntimas), Mama Bear (produtos para bebês), Scout + Ro (vestuário infantil) e as marcas de moda feminina James & Erin, Lark & Ro e North Eleven.

A publicação salienta, ainda, que as marcas, com exceção da Pinzon, não mostram qualquer informação direta sobre a empresa que as controla  apesar de algumas páginas terem indícios, apontando que os produtos dali são reservados para clientes Prime, o restante é vendido como marcas quaisquer.

Um experimento feito pelo autor do artigo, Mike Murphy, demonstra bem essa afirmação. O repórter da Quartz adquiriu uma camiseta da marca Goodthreads, a fim de verificar se a embalagem apresentava alguma característica que pudesse remeter à própria Amazon. O que aconteceu foi que o produto vinha identificado como “importado pela Amazon México”, mas o endereço da empresa de origem era o mesmo do escritório da Amazon México.

Ao contatar a assessoria de imprensa da varejista, Murphy afirma que a empresa não foi específica quanto a esclarecer esse tipo de estratégia de marca, mas confirmou que os nomes das companhias acima listados são da Amazon, de fato. “A Amazon possui uma ampla gama de marcas, incluindo AmazonBasics, Happy Belly, Mama Bear, Pinzon, Presto!, Wickedly Prime, Goodthreads, Amazon Essentials, Mae, Ella Moon, Buttoned Down, The Fix e Lark & Ro.”

Uma das explicações para a gigante não querer que as marcas não tenham ligações explícitas com a empresa de Jeff Bezos é que “há limites para a marca Amazon que seria inteligente para a Amazon não ultrapassar”, explica Mark DiMassimo, especialista em economia direta e CEO da agência de publicidade DiMassimo Goldstein. “Imagine se uma pessoa dissesse: 'minha nossa, como esse lubrificante da Amazon é sexy' ou qualquer coisa do tipo”, completa o executivo.

Fora isso, tem o fato de que a marca Amazon em si é associada a produtos eletrônicos e de tecnologia  e é isso. Para que esses itens não sejam ofuscados por outros, existe a AmazonBasics, por exemplo.

Isso até faz sentido. Mas o grande quê por trás de toda essa estratégia é que pode ser que, um dia, não importa o que você esteja comprando. Tudo, no final das contas, vai pertencer a uma única empresa: a Amazon. E você nem vai perceber.