No próximo dia 24 agosto, Tim Cook completará seis anos na presidência da Apple. Uma empresa que, como todas as outras do segmento de tecnologia, viu seu negócio se modificar e expandir ao longo dos anos e que tem como meta número um fornecer aos seus usuários soluções que justifiquem seu lugar no topo do ranking das Marcas Mais Valiosas do Mundo.

Em entrevista para a Bloomberg Businessweek, além de falar sobre o Homepod - novo dispositivo de áudio da companhia - e os projetos em realidade aumentada, Cook reforçou alguns dos conceitos que são encarados como faróis dentro da empresa, contribuindo para que ela não perca sua essência mesmo que o modelo de negócio se modifique ao longo dos anos:

Tenha o controle

Um dos fatores que faz com que a Apple se diferencie de outras fabricantes de eletrônicos é a importância que a empresa dá em ter o domínio de todos os aspectos ligados ao Sistema Operacional, que funciona como “cérebro” dos produtos lançados. Para a companhia, este é um aspecto chave para o sucesso de seu negócio.

“Precisamos possuir a tecnologia proprietária com a qual trabalhamos”, explica Cook, “porque esta é a única maneira de controlar o futuro e controlar nossa qualidade e experiência do usuário”.

Crie um produto que transforme usuários em fãs

Filas de espera gigantescas, produtos esgotados no dia de estreia e lojas sempre cheias. Basta olhar o panorama completo para ver que a empresa tem uma multidão de admiradores e advogados de marca. Mas, mesmo com esta certeza, a empresa consegue saber se todo esta paixão se converte em lucro para a empresa?  Na entrevista à Bloomberg, Cook deu um exemplo que ajuda a entender como este fluxo ocorre.

Durante muitos anos, segundo o executivo, o Windows foi o sistema operacional mais utilizado pelas empresas, fazendo com que os produtos Apple tivessem uma participação mínima no mercado. Este era um movimento percebido e aceito pela empresa, que havia decidiu focar no consumidor físico como público-alvo.

Mas, explica Cook, à medida que os anos foram passando e os consumidores mais adaptados aos produtos da empresa, estas mesmas pessoas começaram a advogar em prol da Apple dentro do ambiente de trabalho, pedindo que os computadores e aparelhos corporativos fossem da marca alegando que ao trabalhar com softwares e aparelhos já conhecidos, sua produtividade aumentaria.

“Quando você se importa com a felicidade e produtividade das pessoas, você dá a elas o que desperta nelas o seu melhor em termos de criatividade. E se você der a elas a chance de escolher, elas dirão ‘quero um iPhone’ ou ‘quero um Mac’. Acreditamos que este argumento é o elemento-chave para várias decisões corporativas. E acredito que esta tendência é uma realidade em cada país do mundo, não apenas nos Estados Unidos”, explica.

Não é sobre ser o primeiro, mas criar um produto com valor

O iPod não foi o primeiro tocador de MP3 lançado no mercado, bem como o iPad não foi o primeiro tablet desenvolvido. Mas ambos se tornaram produtos de referência por trazerem funções inéditas dos eletrônicos disponíveis.

Essa preocupação em trazer um produto que melhore a experiência das pessoas é uma característica do “padrão Apple” e, segundo Cook, ela está entranhada no DNA da empresa. “Investimos no longo prazo. Não sentimos aquela impaciência de ser o primeiro. É como trabalhamos. Nosso propósito é ser o melhor e entregar ao usuário algo que realmente faça diferença na sua vida.”