Muitos empresários do Vale do Silício têm afirmado que microdoses de LSD podem ajudar o profissional durante um dia duro de trabalho. Entretanto, não havia qualquer prova científica que assegurasse este argumento. Até agora. 

Fundadora da Beckley Foundation e pesquisadora no campo de psicodélicos e da consciência, a cientista Amanda Feilding tem um plano para provar que a droga sintética pode ser sim benéfica ao ser humano. 

Feilding acredita que pequenas doses controladas de LSD podem melhorar a cognição e a criatividade da pessoa. Ela pretende comprovar isso utilizando um antigo jogo de tabuleiro chinês chamado Go. 

Em entrevista ao Business Insider, a pesquisadora conta que a ideia surgiu ainda quando estava na faculdade, 50 anos atrás. “Trabalhávamos muito, muito mesmo. À noite nos divertíamos jogando Go, e comecei a reparar que, quando tomava LSD, eu ganhava mais vezes contra oponentes para quem normalmente eu perdia”, explicou. 

“Essa lembrança me mostrou que minha resolução de problemas e meu pensamento criativo foram aprimorados depois de consumir a droga”, continua Feilding. Longe de sua juventude regada a viagens alucinógenas, a pesquisadora defende agora a ingestão de microdoses controladas.

O raciocínio é de que a dose é pequena demais para produzir efeitos extremos como alucinações, mas suficiente para alterar seus padrões de raciocínio e pensamento. Resumindo, se tudo der certo, a pessoa funciona um pouco melhor do que o normal, fica mais feliz, mais produtiva e menos preocupada. 

A evidência mais concreta do benefício do LSD foi coletada pelo pesquisador James Fadiman, da Universidade de Sofia. Ele recebeu centenas de depoimentos de pessoas que experimentaram a microdosagem e apresentaram resultados positivos ao longo do tempo. 

Ele mostrou as respostas na revista Psychedelic Science em abril deste ano, onde apontou nos usuários a diminuição de depressão, procrastinação, aumento de energia e pensamento criativo mais amplo. O pesquisador nega que os resultados sejam fruto da mente das pessoas, já que a maioria sequer se conhece. 

Apesar das provas, as entidades reguladoras dos Estados Unidos e da maioria dos países do planeta exigem pesquisas rigorosas, repetitivas e controladas antes de aprovar qualquer tipo de microdosagem de drogas alucinógenas. Será que um dia vão liberar?