É fato que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tem lá muito amigos na indústria  ao menos na de tecnologia. Inclusive, ele decidiu acabar com alguns dos seus conselhos especiais recentemente porque, depois de tomar diversas decisões que não agradaram muitos executivos, parte dos membros abriram mão de suas cadeiras.

A fim de saber o que tirar de bom dessa história toda (sim, a gente acredita que é possível tirar um lado bom de toda história), a Inc. entrevistou os 500 fundadores e CEOs das empresas privadas que mais crescem nos Estados Unidos.

Para conhecer um pouco sobre os respondentes: a maioria deles diz ser do partido Republicano (o mesmo que Trump) — 41% dos entrevistados. O restante está bem equilibrado: 37% são de partidos políticos independentes, e outros 22% são democratas. Com relação ao que eles acham do desempenho de Trump como presidente, 45% não apoiam o que ele está fazendo. Outros 27% são a favor, e 28% assumiram uma posição neutra. A gente não sabe como alguém pode ser neutro em relação a Trump, mas enfim. 

Uma das questões mais curiosas de pesquisa foi com relação ao modo como Trump age. A dúvida: essa postura pode servir de exemplo para executivos? 

Aaron Bird, cofundador e CEO da Bizible, uma empresa de software para marketing, foi bem direto: "Ele não é um empreendedor. Não o imite".

Eric McGlade, fundador da Vantage Point Logistic, que desenvolve soluções para frete, foi um pouco mais delicado. Mesmo assim, também manteve a posição de que a postura de Trump não deve ser usada como exemplo. "Espero que seu estilo não esteja influenciando como empresários (ou outras pessoas) interagem ou se comunicam com outros. Nós podemos realizar grandes coisas como uma nação e como empresas sem atacar ou desprezar aqueles que nos rodeiam. Todos queremos ‘vencer’, mas precisamos manter a dignidade, a civilidade e a integridade", afirmou. Achamos bonito. 

Outras respostas tentaram ver o lado bom da coisa. Rafael Zakinov, fundador da Ruby Has Fulfillment, empresa de soluções para ecommerce, afirmou que, se há algo positivo no discurso do republicano, é: "nunca desista, sinta-se bem consigo mesmo e incentive a multidão".

Já Shashank Shekhar, fundador e CEO da Arcus Lending, de investimento imobiliário, aponta que há uma boa estratégia de marketing por trás do presidente. "Regra Clássica de Marketing #101. Segmente seu mercado, direcione o público certo e alinhe seu posicionamento corretamente, e você poderia muito bem conseguir o impossível", completou. 

Ainda sobre a administração de Trump, 77% dos entrevistados afirmam esperar que o presidente se concentre no corte de impostos comerciais  uma promessa feita por ele durante a campanha eleitoral que seguia o slogan Make America Great Again. Este foi, de longe, o item mais popular da lista de objetivos políticos que os CEOs acreditam que deveriam receber mais atenção. O segundo item mais votado foi o corte de impostos pessoais (59%), seguido pela criação de empregos (51%).

O horror, o horror

Para quem não se lembra, durante sua campanha, Trump falou alguns absurdos sobre imigrantes. Usou de estereótipos preconceituosos, que iam desde "todo árabe é terrorista" até "os latinos entram nos EUA para se tornarem criminosos". Pouco após ser eleito, ele chegou a criar um decreto para impedir que refugiados entrassem no país, bem como imigrantes provenientes de sete países de maioria muçulmana.

Daí que esse resultado da pesquisa nos deixou chocados: 10% dos CEOs entrevistados são a favor do banimento de viagens para imigrantes e visitantes de determinados países. Land of the free, que nada.

Para outros 16%, imigrantes ilegais devem ser mantidos fora dos EUA. O restante ainda tem esperança de que, tanto o Trump quanto o resto do país, abandonem a mentalidade nacionalista.