Sim, ele disse que a bitcoin não passava de uma "bolha"; no entanto, ele está de volta, investindo em um novo fundo de criptomoedas. Esse cara é Mark Cuban. Ator, apresentador, investidor, dono do time de basquete Dallas Mavericks e bilionário da tecnologia  mais conhecido por sua participação no programa "Shark Tank".

De acordo com a CoinDesk, o executivo está apostando na 1confirmation, um fundo lançado na terça-feira que tem como objetivo investir exclusivamente em ativos de criptomoedas, de acordo com dados de uma documentação enviada à Comissão de Valores Imobiliários e Câmbio dos EUA (SEC). Liderado por Nick Tomaiano, principal representante da empresa de venture capital Runa Capital, o fundo está em busca de US$ 20 milhões.

"Acho que Nick é uma das mentes mais afiadas do espaço e acredito bastante que haverá aplicativos transformacionais construídos em blockchain", disse Cuban à CoinDesk.

Virando a casaca

Mas, voltando ao que mencionamos no início do texto, Cuban não apenas disse que bitcoin era uma "bolha", como afirmou, por meio do seu Twitter, que não botava muita fé no mercado das moedas virtuais como um todo.

"Qualquer um em qualquer lugar pode comprar uma ação. #cripto é como ouro. Mais religião do que ativo. Exceto, claro, que [com] ouro faz joias bacanas. #crypto nem tanto", escreveu. E ele disse isso no início de junho, um pouco depois de a bitcoin atingir o que na época foi considerado um recorde: o valor da moeda chegou aos US$ 2,9 mil.

O que significa essa mudança de opinião?

Para nós, meros mortais, não muito. Mas essa reviravolta no ponto de vista de Cuban representa um pouco da disrupção que as moedas virtuais estão causando em Wall Street.

Investidores institucionais e empresas de finanças estão prestando mais atenção no potencial de lucro que a criptolândia pode trazer para o mercado. Afinal, não é todo dia que se vê um ativo crescer 2.000% em um curto período de tempo, como aconteceu durante este ano, por exemplo, com a ether, não é mesmo?

Um exemplo mais concreto dessa mudança: a VanEck, uma gerenciadora de dinheiro com sede em Nova York, a qual possui US$ 24,7 bilhões em ativos, está em busca de um fundo de bitcoin para se aventurar, de acordo com dados preliminares enviados à SEC.

Fora os deuses da Goldman Sachs, que estão dizendo aos clientes que criptomoedas merecem atenção, sim.

"Com valor [de mercado] total de quase US$ 120 bilhões, está ficando difícil para investidores institucionais ignorarem as criptomoedas. Se você acredita ou não no mérito de investir em criptomoedas (você sabe quem você é), dólares reais estão trabalhando aqui e vale observar, especialmente à luz do crescente mundo das ofertas iniciais de moedas (ICOs) e arrecadação de fundos que agora excedem investimentos anjos e seed", aponta Robert Boroujerdi e sua equipe da Goldman.

Vale ressaltar que ICOs arrecadaram somente neste ano mais de US$ 1,8 bilhão, de acordo com dados da empresa de análise de fintechs Autonomous Next.