Apple e Amazon travam uma batalha acirrada hoje em dia: decidir quem possui a melhor assistente virtual. Pensando em longo prazo nessa guerra particular, as duas companhias estão promovendo mudanças internas com o objetivo de garantir seu lugar ao sol em um setor tão promissor – tido por muitos como o futuro da computação.

Enquanto a companhia de Jeff Bezos conseguiu firmar uma amizade inesperada com a Microsoft, selando a união de sua assistente Alexa com a Cortana, a relação com a Siri da Apple continua (no mínimo) um pouco mais tumultuada. Tanto que as duas sequer cogitam qualquer tipo de parceria ou comunicação entre si.

De acordo com fontes internas, a Amazon está abrindo as portas para centenas de engenheiros que devem se focar quase que exclusivamente no desenvolvimento da Alexa. Sim, a ideia é mesmo dar prioridade ao programa em detrimento de outros setores da casa.

Além disso, Bezos transferiu um de seus mais confiáveis executivos, o veterano Tom Taylor, para chefiar o setor. Se tudo correr como o esperado, Taylor, que é conhecido por sempre bater metas altíssimas em suas equipes, ocupará o cargo do antigo chefe da divisão (que está a um passo da aposentadoria).

Enquanto isso, a Apple também promoveu alterações em suas fileiras na tentativa de ultrapassar a Amazon. Para cuidar da Siri, a companhia agora conta com Craig Federighi, seu principal engenheiro de software, que entra no lugar de Eddy Cue, responsável por liderar a equipe da Siri por 5 anos.

A mudança, ao que parece, foi feita após a Apple perceber que, desde que lançou o programa em 2011, perdeu terreno para concorrentes como a Alexa, da Amazon, e o Google Assistant, do Google. Pois é, deixar de mostrar resultados é quase um crime capital na empresa de Tim Cook.

Só no hype

Assistentes pessoais como Siri, Alexa e Cortana estão se tornando cada vez mais populares no mercado. Alimentadas por inteligência artificial, elas facilitam tarefas virtuais cotidianas das pessoas, desde uma simples busca na internet até o controle total de luzes, trancas, televisão e sistema de som de uma casa.

De acordo com a IHS Markit, mais de 4 bilhões de dispositivos eletrônicos suportarão tecnologias de assistentes digitais até o final de 2017 – mostrando que esse é um mercado com um potencial muito, muito alto.

Buscando o pódio

Diante da previsão de que essa tecnologia será indispensável no futuro, as gigantes da tecnologia correm hoje para desenvolver a melhor assistente do pedaço. No páreo dessa disputa temos a Apple, o Google, a Microsoft, a Amazon e, claro, a Samsung (que quer abocanhar seu espaço nesse filão com a Bixby).

O primeiro passo para prosperar no segmento é tentar incorporar suas assistentes na maioria dos dispositivos eletrônicos em circulação. Nesse sentido, a Apple sai na frente, já que tem a maior base de usuários entre todos os concorrentes. Estima-se, por exemplo, que a Siri seja acessada mensalmente por 375 milhões de aparelhos em 36 países diferentes. Nada mal, hein?

Apple, Samsung e Google também contam com um alcance maior que o de outros nomes na lista e trabalham com volumes enormes de dados gerados pelos clientes, graças principalmente a sua forte presença no segmento mobile. Enquanto isso, rivais como Amazon e Microsoft precisam utilizar outros meios para não ficar tão para trás.

Como já é sabido, a Amazon contra-atacou essa deficiência com a introdução do Echo no mercado. Com a Alexa à tiracolo e a promessa de auxiliar as pessoas nas mais diversas tarefas do lar, o equipamento acabou ganhando popularidade muito rapidamente. Quão popular? Bem, basta dizer que o dispositivo, sozinho, já corresponde a três quartos de todo o volume de vendas da categoria, com mais de 11 milhões de vendas até o final de 2016.

A companhia de Jeff Bezos tem firmado parcerias com o intuito de introduzir a Alexa onde conseguir. A assistente virtual já faz parte dos programas de bordo dos carros da Ford, por exemplo. Além dos dados obtidos através do Echo, a Amazon coleta informações de seus clientes através de sua plataforma de comércio online.

Para combater esse cenário, a Apple também vai lançar em breve sua própria caixa de som inteligente, ao mesmo tempo que fortalece a integração da Siri em seus sistemas operacionais (macOS e iOS). Segundo especialistas, a chegada de Federighi deve trazer mais conhecimentos técnicos ao projeto, o que pode ajudar a ampliar ainda mais o alcance da assistente. Quem vai sair vitorioso nessa disputa? Não sabemos, mas é fato que a chapa deve esquentar muito antes de esfriar.