A Amazon (como não é novidade) está de olho em mais um nicho de mercado para se aventurar. Dessa vez, Jeff Bezos quer cortar os intermediários e realizar suas próprias entregas (sim, sem depender dos outros). Para isso, a companhia está testando o Seller Flex, um novo programa que permite que mais itens anunciados na Amazon entrem para a lista Prime e sejam entregues em, no máximo, dois dias e de forma gratuita – mesmo produtos de terceiros.

Com essa iniciativa, a empresa passa a se responsabilizar 100% pelas entregas, indo direto ao fornecedor para pegar os pacotes e levando esse material diretamente aos clientes. Claro que o projeto deve causar uma dor de cabeça danada em grandes empresas do ramo, como a UPS e o FedEx.

Em um primeiro momento, essas companhias concorrentes continuarão a ser usadas para delivery, mas quem escolherá a forma do envio é a própria Amazon – em vez de deixar essa decisão nas mãos de vendedores parceiros, como acontece atualmente.

Além de ampliar o escopo das entregas, isso também ajudará a aliviar a sobrecarga de galpões da empresa. A notícia também é boa para os clientes, já que eles poderão receber descontos em produtos com mais frequência, já que a Amazon irá economizar em gastos com as entregas.

Vale notar que o mercado já respondeu a essas mudanças no que diz respeito às antigas chapas do e-commerce. As ações da UPS caíram cerca de 2,1%, chegando a US$ 116,52. As da FedEx, por sua vez, diminuíram 1,6%, chegando a US$ 217,77 – apesar disso, ela conseguiu recuperar um pouco e aumentou para US$ 220,09. Seja como for, o futuro não parece ser tão sombrio para essas empresas.

De acordo com o analista da Seaport Global Holdings, Kevin Sterling, as ações podem até estar sentindo a pressão agora, porque “é a Amazon e ninguém quer bater de frente com ela”. Porém, o mundo do comércio eletrônico está em um constante crescimento, na casa dos dois dígitos ano a ano. “Mesmo que a Amazon tome alguns clientes, todo o restante do mercado está crescendo tão rápido que a UPS e a FedEx não ficarão para trás”, explicou ele em entrevista à Bloomberg.

Ampliação

No ano passado, a Amazon já havia lançado o Seller Fulfilled Prime, um programa para vendedores que permite que terceiros vendam com garantia Prime de entrega, ou seja, em até dois dias. No entanto, isso só acontecia se os próprios vendedores provassem que podiam realizar esse serviço dentro do prazo estipulado.

Já o Seller Flex é como se fosse uma expansão ainda maior dessa iniciativa. Esse novo programa, porém, já existe há dois anos na Índia (um dos mercados mais crescentes da Amazon fora dos Estados Unidos) e a empresa está aos poucos liberando a opção também para vendedores americanos. O projeto-piloto é (ou era) confidencial.

Os testes com o Seller Flex começaram neste ano em estados da Costa Oeste. A ideia é que o serviço esteja disponível oficialmente apenas em 2018.