O que mais se fala nos últimos tempos é sobre igualdade de gêneros no mundo da tecnologia. Aliás, o foco é na falta desse equilíbrio. E isso pode se estabelecer de diversas formas: da preferência de profissionais da ala masculina para preencher cargos de chefia a tratamentos e salários diferentes para colaboradores com o mesmo nível de atuação.

A Salesforce era uma dessas companhias de TI que se encaixava no quesito “diferenças de salários”. Mas o CEO e chairman da empresa, Marc Benioff, decidiu fechar essa lacuna e investiu US$ 3 milhões para levar isso adiante – duas vezes. Com o movimento, a companhia entrou para o ranking “Global Champions of Women in Business”, com curadoria do Financial Times e do HERoes – um grupo de defensores da diversidade no local de trabalho.

A lista engloba representantes masculinos e femininos que "estão ajudando a resolver o desequilíbrio de gênero nos negócios. Estamos celebrando não apenas aqueles que conseguiram alcançar um sucesso significativo em suas próprias carreiras, mas também aqueles que elevaram seus companheiros nesse processo", descreve o site da premiação.

A dupla iniciativa de 3 milhões de dólares

Com isso em mente, a Salesforce iniciou seu processo de avaliação de salários em 2015, tendo como objetivo verificar se colaboradores homens e mulheres eram pagos igualmente por seus trabalhos. O que eles descobriram nessa pesquisa? Que as remunerações precisavam de reajustes – e que, para conseguir chegar a um equilíbrio, seriam necessários US$ 3 milhões.

O montante foi injetado com o intuito de "eliminar diferenças estatisticamente significativas em pagamentos", de acordo com descrição da FT e da HEroes. Depois desse primeiro momento, já em 2017, a empresa injetou outros US$ 3 milhões com o mesmo intuito de corrigir discrepâncias salariais.

Como o monitoramento é constante, é possível que novos gastos nesse sentido sejam feitos no futuro. Mas a questão principal nessa história toda não é a quantidade de dinheiro que está sendo investido, e sim o fato de que algo está sendo feito.

O movimento da Salesforce, vale ressaltar, faz parte do White House Equal Pay Pledge. A iniciativa, lançada pelo governo Obama, visa incentivar empresas a promover ações em prol da igualdade de salários e de gêneros. Outras companhias como AT&T, eBay, The Estée Lauder Companies, InterContinental Hotels Group, Mastercard, Yahoo e outras 93 empresas assinaram o acordo e se comprometeram a ajudar o projeto.

Benioff também exige que 30% dos participantes de todas as reuniões da empresa sejam mulheres, bem como concede prêmios para pessoas que promovem a igualdade de direitos nos negócios, governo e organizações sem fins lucrativos.

Reduzir as diferenças entre gêneros no trabalho é algo que deve ser constante e, infelizmente, é um problema que está longe de ser sanado. A igualdade de remunerações é apenas um começo. No ano passado, por exemplo, mulheres que trabalharam em tempo integral receberam 19,5% menos que homens que se dedicaram pelo mesmo período de trabalho.

Como aponta Lianna Brinded, da Quartz, muitas empresas trabalham extensivamente para promover diversidade no local de trabalho e igualdade de salários. Mas poucas investem uma soma considerável de dinheiro para efetivamente solucionar a questão.

Global Champions of Women in Business

Dentre as grandes selecionadas para o ranking da FT e da HEroes está Rana Ghandour Salhab, parceira de talentos e comunicação da Deloitte Middle East. A executiva conquistou o primeiro lugar da lista em diversos pontos: ela foi a primeira mulher eleita ao board da companhia para o Oriente Médio.

Ela também foi a primeira a participar do Comitê Executivo Regional da empresa e uma das duas primeiras mulheres admitidas como parceiras da empresa (e olha que a Deloitte Middle East possui mais de 90 anos!).

Em 2007, Rana também foi responsável pela criação do DRAW, um programa de promoção feminina que aumentou a proporção de mulheres para homens na empresa nas regiões do Golfo Pérsico, Oriente Médio e Norte da África.