Cada vez mais publicações lutam para conseguir manter a relevância no mercado da internet (em que tudo é efêmero) e, com isso, conquistar mais receita para se manter ativo. O Google, para ajudá-las nessa empreitada (ao menos na parte financeira da coisa), anunciou que irá compartilhar suas receitas com editores de notícias – vulgo ~publishers~, para os adeptos dos termos ingleses.

Quem deu primeiro a notícia foi o Financial Times, que aponta também que a ideia da iniciativa é combinar dados pessoais de usuários com algoritmos de machine learning para ajudar publicações de notícias a manter e até mesmo aumentar suas bases de assinantes.

Qual é a vantagem?

O acordo entre publicação e Google poderá funcionar na mesma linha do AdSense (usamos o verbo no futuro, porque a empresa ainda não deu detalhes sobre o assunto). Sendo assim, para cada assinante que o buscador trouxer para a publicação, ele fica com uma porcentagem do valor da assinatura. Do lado dos publishers, um porta-voz da gigante disse ao TechCrunch que a fatia dos ganhos concedidos às publicações será “bastante generosa”, mas não entrou em detalhes sobre números.

Ou seja, ainda não se sabe ao certo se a proposta será interessante para ambos os lados, mas a ideia é apresentar mais uma opção de renda para publicações que já tenham algum tipo de esquema de assinatura e trazer mais usuários pagos para a plataforma. Isso é algo que cairia como uma luva para The New York Times, Wall Street Journal e o próprio Financial Times – entre outros –, que possuem esse tipo de bloqueio de algumas notícias, tornando-as disponíveis apenas para assinantes.

Quem também está nessa briga para tentar trazer alguns recursos úteis para publicações é o Facebook, que liberou recentemente o Instant Articles. A ferramenta permite que editores de conteúdo possam cobrar por suas notícias exibidas dentro da plataforma.

Fazendo as pazes

Essa pode ser uma forma que o Google encontrou para não ficar mal com agências de notícias. Isso porque, anteriormente, a gigante das buscas chegou a acusar editores de se aproveitar do seu trabalho sem ganhar nada em troca – ou seja, artigos pelos quais assinantes estavam pagando para ler eram indexados no buscador, tornando o material mais relevante, e a empresa simplesmente não ganhava uma fatia da taxa cobrada.

Dessa forma, o Google acabou obrigando publicações a desistir de potenciais receitas (ao menos três artigos por dia deveriam ser liberados da cobrança para serem exibidos durante pesquisas), em troca de continuarem relevantes nas buscas.

Agora, essa nova iniciativa dá um certo poder de controle de volta ao Google, porque ele pode ajudar publicações a permanecerem relevantes, o que consequentemente atrai novos leitores e possíveis novos assinantes. E, como sabemos que o alcance da plataforma é amplo, é bem provável que editores não queiram ficar para trás quando o acordo for posto oficialmente em prática.