O Facebook não foi a única plataforma de Mark Zuckerberg que foi usada como ferramenta para lançamento da campanha russa, que tinha como principal objetivo atrapalhar as eleições presidenciais de 2016 dos Estados Unidos. Durante audiência, que está acontecendo nesta semana no Congresso (e onde estão sendo ouvidas algumas gigantes da tecnologia que teriam se envolvido no caso), a companhia admitiu que o Instagram também estava no bolo.

Milhões

Colin Stretch, conselheiro-geral da rede social, afirmou na ocasião que 120 mil postagens feitas na rede de fotos por agentes russos chegaram a atingir 16 milhões de norte-americanos de outubro até o momento da eleição. Antes desse período, outros 4 milhões de usuários dos EUA foram impactados pelos posts - na época, o Facebook possuía menos dados completos coletados sobre o assunto. Isso sem contar os 126 milhões de eleitores norte-americanos que foram atingidos pela campanha arbitrária que rolou no Facebook propriamente dito, por meio dos anúncios falsos.

Ainda não está claro se esses dois grupos, de alguma forma, se sobrepõem. Mas, caso sejam usuários únicos, podemos contabilizar um total de mais de 140 milhões de eleitores atingidos pela campanha (isso só nas plataformas que Zuckerberg controla). Só para lembrar: originalmente, o FB tinha estimado 10 milhões de usuários norte-americanos impactados. É, Zuck. Bem que Obama avisou que o caso era grave...

Outros casos

Durante essa semana, o Twitter também chegou a ser ouvido em audiência, informando que sua investigação interna retornou 2,7 mil contas na rede social que tinham algum tipo de relação com a campanha russa. Originalmente, a empresa também havia estimado um número de perfis falsos bem abaixo do que realmente foi encontrado: 200.

Fora isso, a rede social teria excluído da plataforma 106 contas que enviaram diretamente 700 tweets com pedido de voto via SMS - o que caracteriza supressão de voto, uma vez que não se pode, de fato, votar por meio de mensagem de texto enviada por smartphone. E supressão de voto é crime.

O conselheiro-geral do Twitter, Sean Edgett, no fim das contas, acabou sendo acusado de erroneamente diminuir o percentual de usuários bots na plataforma (ele disse que a estimativa era de apenas 5%, mas Comitê de Inteligência do Senado afirma que estimativas externas apontam para um número bem maior do que esse).

Futuro

Ainda está incerto. Mas é possível que as gigantes da tecnologia sejam julgadas sem dó e recebam algum tipo de regulamentação governamental no futuro. Ao menos isso é o que deu a entender a frase da senadora democrata Dianne Feinstein, que disse: "Vocês assumam a responsabilidade. Vocês criaram essas plataformas, e agora elas estão sendo usadas incorretamente. E vocês é que têm de fazer algo sobre isso... ou nós faremos."

Parece que a situação está cada vez pior para o Vale do Silício, mas aguardaremos os próximos capítulos para chegar à alguma conclusão.