No último trimestre de resultados apresentados pelo Google, os números foram acima do estimado por Wall Street. Apesar disso, a empresa possui uma pequena questão que pode não agradar investidores: eles têm de investir mais dinheiro para pagar parceiros de negócios. Que tipo de parcerias são essas? Quem são esses parceiros? Ninguém sabe.

Ruth Porat, CFO da gigante, deixou analistas com dúvidas quando informou, logo no início da apresentação, que a expectativa é de que os custos com aquisições de tráfego (ou simplesmente TAC) aumentem no futuro e abocanhem uma porcentagem da receita da empresa. TAC é o tanto de dinheiro que o Google paga a parceiros como fabricantes de smartphones e computadores, e outras empresas (incluindo a Apple), para promoverem seus serviços, ganhando mais cliques e gerando mais tráfego para seu site.

O TAC já apresentava aumentos significativos (no resultado do terceiro trimestre, os custos com essa divisão chegaram a crescer 23%). Esse crescimento foi justificado como "mudanças nos acordos com parceiros" e a reestruturação de foco da empresa para o mobile. Mas Ruth não deu mais detalhes sobre os acordos ou os parceiros envolvidos. Nadica de nada.

Isso soa como Apple

Uma das teorias levantadas por analistas de mercado é que esse aumento tem a ver com a Apple - mais precisamente com um acordo que o Google fez com a gigante de Cupertino e que torna o buscador da empresa como página principal por padrão no navegador Safari em aparelhos Apple, como iPhones e iPads.

E como todo acordo entre titãs não sai barato, é possível que o Google tenha desembolsado US$ 1 bilhão em 2014 para a Apple nesse sentido, de acordo com Toni Sacconaghi, analista da Bernstein – e, agora, esse número pode estar próximo dos US$ 3 bilhões, de acordo com relatório da CNBC feito em agosto.

Não tá fácil nem para o Google

Qualquer que seja a justificativa, o aumento do TAC pode ser ao mesmo tempo uma benção e uma fraqueza para a gigante.

Isso porque essa crescente dependência que a empresa está desenvolvendo com a Apple pode ser um tiro no pé. Afinal, a gigante de Cupertino pode crescer tanto nesse sentido que acaba tomando as rédeas do negócio (o que não necessariamente pode acabar bem para o Google, que terá uma parte valiosa do seu tráfego nas mãos da concorrência). "Não é uma ameaça existencial, mas é um custo que continuará a crescer", afirma Ben Schachter, analista da Macquarie, ao Business Insider.

Ao mesmo tempo, o Google está ciente do dinheiro que esse tipo de acordo pode representar para ele em termos de despesas e sabe também que pode renunciar quando quiser.

A companhia fez isso no passado com a Mozilla, em um movimento que se mostrou acertado. Claro que não podemos comparar o Firefox com o iPhone, porque são dois negócios distintos. Mas parece que o acordo com a Apple, ao menos por enquanto, parece ser mais vantajoso do que nocivo (e os bilhões são um pequeno preço a ser pago pela parceria).