Você pode já ter ouvido falar que ser um bom líder é diferente de ser um bom chefe - e não necessariamente ser um bom chefe é uma boa coisa. Geralmente, a palavra líder remete àquele que não apenas sabe gerenciar a equipe, mas também zela por ela, chegando a conquistar respeito e admiração. Com a liderança, vem também a confiança. Como saber, então, se a sua equipe confia em você e no que você faz?

Para começar, você precisa saber que um líder também é aquele que se coloca como parte da equipe. Aquele que irá assumir a bronca se algo der errado, que irá enxergar os erros como oportunidades e incentivar a equipe a encontrar pontos fracos para ajustar as velas, quando necessário. Afinal, é fácil comemorar as vitórias, mas os percalços precisam de apoio moral que nem todo chefe está disposto a dar, não é mesmo? Então, se você encoraja o time quando há um tropeço, ou utiliza a palavra “nós” em vez de “eu”, isso já é um bom sinal.

O mesmo vale para termos mais específicos e que, sutilmente, podem fazer toda a diferença. Por exemplo: você chama a pessoa que responde para você na hierarquia de funcionário ou de colaborador? Os classifica como seus parceiros de trabalho ou membros da equipe?

A Inc. listou algumas questões que você deveria se perguntar sempre que estiver em dúvidas com relação a isso. Separamos as que achamos mais bacanas para te ajudar a ter uma ideia sobre o nível de confiança dos seus subordinados com relação a você:

1. Você recebe muitos “nãos”?

Pessoas que confiam em você e na sua liderança vão te oferecer “nãos”, mas eles serão “nãos” qualificados. Isso significa que elas abraçarão o que puderem e, quando não puderem, te dirão o porquê não podem fazer aquilo naquele momento, oferecendo uma alternativa plausível. Quando a equipe está engajada em um propósito único e quando você os inspira, provavelmente eles farão o possível para ajudar o todo.

Não

Se você sempre recebe “sim” para tudo o que é proposto, é possível que sua equipe esteja apenas conformada - e diz “amém” para tudo o que você fala, mesmo que eles não concordem. Portanto, fique atento: discussões construtivas, que trarão crescimento, sempre são bem-vindas.

2. Você e sua empresa são transparentes e acessíveis?

Transparência, em todos os sentidos, é sinônimo de confiança. Aliás, confiança é uma coisa que deve ser via de mão dupla, caso contrário ela dificilmente se manterá por muito tempo. Dito isso, a melhor forma de trazer confiança é a transparência, porque isso mostra que você confia na pessoa para aquela está passando essa mensagem tão importante.

transparencia

Você, portanto, é um chefe que mantém sua equipe informada sobre coisas importantes que afetam a empresa e o trabalho? Sobre o andamento de projetos? Há informações que, se mantidas em sigilo, elas simplesmente começam a gerar um burburinho aqui e ali que só causa desconfiança. Compartilhar dados de desempenho, por exemplo, garante que todo mundo se ajude e mantenha o andamento do negócio.

E com relação a manter um canal aberto, você possui esse atributo? Você permite que seus parceiros peçam e deem feedbacks a qualquer momento - e não apenas nas reuniões marcadas e anuais? Em companhias com culturas “portas-abertas”, é possível falar com qualquer gestor a qualquer momento. Qualquer um pode marcar uma conversa com você quando precisar? Nem que seja por cinco minutos?

3. As pessoas vivem os mesmos valores que a empresa?

A Disney possui uma cultura única. Todos os seus colaboradores da companhia, sem exceção, prezam por um atendimento ao cliente surpreendente e, não à toa, isso gerou uma cultura que outras empresas querem se inspirar.

grupo

Para ilustrar isso, vou contar uma história bem rápida aqui, que é possível que você conheça - mas, se não, passa a conhecer. A história é de Claudio Nasajon, fundador da Nasajon Sistemas e membro do grupo de investidores-anjo Harvard Angels do Brasil. Ele conta, em um artigo escrito para a StartSe, que estava um belo dia em um dos parques da Disney com seu filho, e ele perdeu um boné recém-comprado.

Nesse momento, Nasajon pergunta a um jardineiro próximo a eles onde poderiam encontrar o “achados e perdidos”. Como o jardineiro reagiu? Em vez de indicar o local, ele interrompeu suas tarefas, levou-os à loja mais próxima e pediu para o menino apontar o modelo do boné perdido. “O funcionário puxou um bloquinho de cupons da Disney do bolso traseiro e comprou um boné novo para o meu filho. ‘Um presente do Mickey. Vocês estão aqui para passar bons momentos, então, façam isso’, disse-nos com um sorriso”, conta Nasajon. Esse é o jeito Disney. Todos os colaboradores fazem parte daquilo, vivem a cultura e os valores do lugar. E é assim que tem de ser.

4. Sua equipe compartilha notícias da empresa nas redes sociais?

Quando sua empresa sai na mídia por algum motivo, por exemplo, as pessoas compartilham esse feito? Elas compartilham do mesmo entusiasmo? Se sim, isso pode significar que as pessoas estão felizes em mostrar que fazem parte daquele mundo e orgulhosos de suas contribuições.

compartilhando

5. Você multidimensiona estratégia e iniciativas importantes?

Muitas vezes, a parte estratégica fica apenas com a gerência e os C-level. Mas, atualmente, trabalhar diretamente com o cliente ou na área de produtos faz com que executivos enxerguem novas oportunidades e contribuam para a parte estratégica do negócio também. Quando você solicita insights, você dá a chance e a confiança de outras contribuições serem relevantes.

parabéns

Se você disse “sim” às questões acima, você é um líder e possui vantagens que outras chefias não têm, como colaborativismo e criatividade - essenciais para alcançar o sucesso.

Agora, se você respondeu alguns “nãos”, pode ser que você tenha de rever algumas coisas - e, claro, isso não é o fim do mundo. Construir uma cultura de confiança sólida leva tempo e dedicação. Mas, basta fazer alguns ajustes para chegar lá.