Chegamos ao quarto dia de julgamento Uber-Waymo e depois da participação especial de Michael Douglas (via YouTube) e do ex-CEO da empresa, Travis Kalanick, o júri ouviu o investidor Bill Gurley, ex-membro do conselho da empresa e sócio da Benchmark.

Gurley afirmou no tribunal que era um dos membros do conselho mais envolvidos no momento da aquisição da Otto, startup fundada por Anthony Levandowski, ex-funcionário do braço da Alphabet para desenvolvimento de carros autônomos. A empresa, dona do Google e Waymo, acusa a Uber de conspirar para roubar informações sensíveis sobre a tecnologia.

Em seu testemunho, Gurley afirma que, antes da compra, a Uber contratou a empresa de cibersegurança Stroz Friedberg para fazer uma limpa nos dispositivos dos principais executivos da Otto - incluindo Levandowski - em busca de propriedades intelectuais e segredos industriais.

Nesse processo, Kalanick e outros executivos da Uber teriam sido informados de que Levandowski detinha informações da Alphabet em alguns drives. O ex-funcionário da Waymo afirma que destruiu esse conteúdo.

De acordo com a testemunha, a Uber deu a entender que a investigação não encontrou arquivos sensíveis nas reuniões de conselho. Por esse motivo a Benchmark entrou com um processo - já arquivado - alegando que Kalanick cometeu uma fraude.

Contradições

Há uma contradição entre os testemunhos do ex-CEO da Uber e do sócio da Benchmark. Segundo Gurley, era Kalanick quem fez grande parte da apresentação sobre o assunto para os membros do conselho da empresa. No entanto, o confundador da Uber testemunhou que esse papel de destaque foi desempenhado por outro executivo, Cameron Poetzscher.

E por qual motivo isso é importante? A defesa da Uber está tentando desenhar um quadro no qual seu ex-CEO não teria sido a pessoa que reportou ao conselho sobre essa busca nos aparelhos da Otto. Kalanick até chegou a afirmar que não leu o relatório, nem os documentos da compra da Otto.

Já o investidor aponta que se lembra claramente de ter abordado o assunto, já que achou "curioso" o acordo entre Uber e Otto que previa a proteação de Levandowski no caso de um possível processo.

Alguém mais aí tá sentindo um cheirinho de "vai dar ruim" no ar?

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