Não é novidade que os hotéis não olham exatamente com bons olhos para o Airbnb. Desde que a plataforma se espalhou pelo mundo oferecendo sofás, quartos e imóveis de luxo para usuários alugarem ou se hospedarem, o setor hoteleiro vem sentindo o impacto da tal ~economia compartilhada~. E é em Nova York que um dos maiores embates contra a empresa californiana se desenrola.

O segmento de hotéis da cidade vem empenhando uma longa jornada de combate, apoiando desde a criação de leis que atingem o modelo de negócios da companhia e até mesmo colocando no ar comerciais que sugerem que terroristas poderiam utilizar o serviço como uma forma de esconder sua presença na cidade. Sério. Todo esse rage porque, ao longo dos anos, perderam uma quantia considerável tendo de reduzir o valor de suas estadias para concorrer com os anúncios da plataforma.

Por favor, não arrume o quarto

Trazendo números à discussão: um estudo de 2017 aponta que as operações do Airbnb tiveram um impacto negativo de USD 2,1 bilhões na indústria de alojamentos e similares em NY. Tá certo que o relatório foi bancado por uma companhia hoteleira (não diga), mas é interessante sacar como foram mensuradas essas perdas. Segundo a HVS Consulting & Valuation, responsável pela análise, mais de 2,8 mil postos de trabalho foram fechados por conta da queda na demanda por quartos. Afinal, com menos gente hospedada, não é preciso limpar tanto ou ter um staff tão grande. O estudo ainda estima uma perda de USD 226 milhões por ano em taxas para o governo americano. Tudo culpa do Airbnb, diz a indústria.

NY sitiada

Fora os dados sobre o setor, os hotéis têm ao seu lado indicadores que mostram as mudanças que a companhia causou em NY. De acordo com um relatório feito por um professor da McGill University, o uso do Airbnb aumentou o preço dos aluguéis em USD 380 por ano, em média, na Big Apple. Como consequência, muitos moradores não conseguem arcar com os custos de moradira e precisam se mudar para bairros periféricos, o que influencia tanto no trânsito  da cidade como na qualidade de vida de quem passa a ter de encarar o dobro de tempo no trajeto casa-trabalho. Importante falar que a produção do estudo foi financiada pelo Hotel Trades Council (eles não estão brincando não), mas essa não é primeira vez que alguém levanta esse tipo de questionamento sobre o efeito Airbnb em grandes cidades.

E tem mais treta forte, quando o assunto é o costume de sublocar os apartamentos. Imagine que você mora num apê alugado e vai passar um tempo fora (sabático tá na moda né). Daí, para fazer uma graninha, resolve oferecer o apto na plataforma. Tudo certo, não fosse o fato de que essa “terceirização do aluguel” é ilegal em NY. E o outro fato de que, por lá, a lei determina que não é possível alugar um imóvel por menos de um mês. Essa legislação, aliás, foi aprovada em 2016, junto com uma outra que aumentava as tarifas de uso do Airbnb. Segundo o NYTimes, as novas regras teriam sido aprovadas por conta da pressão feita pela indústria hoteleira.

Foco no home sharing

Com esse cenário favorável (sqn), o Airbnb está mexendo seus pauzinhos. Irá lançar o seu próprio condomínio de apartamentos, em parceria com a imobiliária Newgard Development Group, na Flórida. Chamado “Niido powered by Airbnb”, o projeto espera reduzir os atritos a respeito da locação de imóveis, uma vez que os locatários terão permissão para sublocar os apês. A empresa colocou USD 200 milhões para tirar o plano do papel e a intenção é a de que o lançamento ocorra até o final deste ano. Conseguindo bons resultados por lá, a ideia é espalhar condomínios assim por outras cidades dos EUA - como, quem sabe, New York, New York?