Kalamata é o nome de uma das maiores cidades do Peloponeso, no sul da Grécia. Em 1821, se tornou a primeira região do país a conquistar a independência do Império Otomano. Kalamata também é o codinome de um projeto aprovado recentemente pelos executivos da Apple. Seu objetivo é tornar a companhia independente dos chips da Intel até 2020.

Better on my own

Com seu core na fabricação de processadores para computador, a Intel fornece chips para a Apple desde 2006, quando seus componentes passaram a povoar o MacBook Pro e o iMac. A relação entre as duas empresas foi boa por uns alguns anos, mas, hoje, a empresa de Cupertino acha que pode ser mais feliz. Sozinha. É possível imaginar o porquê. Para começar, é importante entender que a Grande Maçã é uma verdadeira fanática por integração. A palavra é regra no ecossistema criado pela companhia, em suas plataformas, todos os seus devices, e até mesmo em seu sistema de logística e linhas de distribuição. Fora isso, a Apple tem um tanto de egocentrismo e não só gosta de fazer as coisas de seu próprio jeito, como tem grana para bancar esse gosto. Afinal, estamos falando da empresa fechou 2017 com mais de USD 200 bilhões em caixa.

Apple não estã tão a fim de você

Faz um tempo que a companhia de Jobs vem soltando as amarras que tinha com alguns fornecedores, substituindo a tecnologia deles por outras, desenhadas dentro de casa. Em novembro, anunciou que iria abandonar a parceria com a britânica Dialog Semicondutor, porque iria começar a produzir seus próprios chips de gerenciamento de energia. Mês passado mesmo, os boatos eram os de que também desenvolveria as telas para o Watch, mandando um “foi bom enquanto durou” a parceiros como Samsung Electronics e LG Display. A verdade é que toda relação (de negócios) tem um prazo de validade. Se por um lado é útil para a Apple ter fornecedores top de linha por um período, por outro, ela acaba ficando refém do que eles podem fazer por ela. O que nos leva à próxima questão desse término de relacionamento:

Não sou eu, é você

Os anos dourados da Intel, no qual a companhia usou com orgulho a coroa de rainha suprema dos chips, parecem estar perdendo o brilho. Quer dizer, a empresa ainda se mantém no topo do ranking das maiores produtoras de processadores, mas a qualidade deles, quando comparada ao que há de mais avançado agora, está ficando para trás. Não é a gente que diz (porque processador é um papo muito treta), mas o The Verge. Para os caras,  as melhorias nos chips da empresa simplesmente estagnaram, fazendo com que o macOS (sistema operacional do Mac) comece a perder a corrida para o desempenho do iOS (sistema operacional do iPhone, que BTW, é desenhado pela Apple e fabricado por outras empresas) e outras arquiteturas, como as da ARM. Em bom português, o macOS está há tempo demais aguardando por algum update mind blowing, que sequer dá mostras de quando deve sair.

Procura-se um amor que goste de iPhones

O maior problema disso é que a Apple trabalha para fazer com que você não fique por mais de dois anos com o mesmo produto dela nas mãos. Nesse tempo, a companhia de Cupertino já quer você babando no novo i-qualquer-coisa, a ponto de esquecer que o i-qualquer-coisa que você já tem está em perfeitas condições. Assim, as melhorias em seus novos devices precisam ser incríveis a ponto de causar esse efeito - não que ela esteja lá conseguindo isso com o iPhone nos últimos tempos, mas você entendeu o ponto. Resumindo: a falta de inovação na Intel está empacando o rolê.

Com o mobile se tornando o computador mais importante na vida do consumidor, sobra para as CPUs e os notebooks todo o trabalho que é impossível ou ruim de fazer pelo smartphone. É esse o caminho que a Apple quer seguir, o mais solo que der, já que integração só rola de verdade quando existe centralização.

Orgulho e prejuízo

A notícia toda é pesadíssima para a Intel porque tem um quê de déjà vu. A companhia já perdeu o bonde do mobile. Agora, não pode ser dar ao luxo de ficar para trás no mercado em que mais se especializou. No dia em que toda a notícia sobre o Kalamata saiu, na segundona, as ações da empresa caíram mais de 9%, fechando numa baixa de 6,4%, a USD 48,75.

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