A gente já contou que o presidente norte-americano Donald Trump não faz nenhuma questão de esconder seu desprezo pela Amazon, companhia comandada por Jeff Bezos. A querela Trump X Bezos não acontece há muito tempo, nem numa galáxia distante, mas tem potencial para virar batalha mais épica que muito blockbuster por aí. Os motivos para a gente achar que essa treta é explosiva:

1) Trump acredita que a Amazon vai contra o American Way of Life que ele tanto preza;

2) O POTUS não curte nem um pouco a cobertura do Washington Post (jornal que pertence a Jeff Bezos) sobre seu governo;

3) Um adversário tão grande quanto a Amazon incomoda muita gente;

4) Nada indica que Jeff Bezos e companhia vão apanhar calados.

O Despertar da Fúria (de Trump)

Daí que nessa semana, depois de xingar muito no Twitter, Trump comentou com jornalistas que vai “dar uma olhada séria” nos negócios da Amazon e no que ele chamou de "condições desiguais” que a gigante do e-commerce possui em relação aos seus rivais. As declarações foram dadas a bordo do Air Force One (mas bem que podia ser a Estrela da Morte).

O tamanho da Amazon torna a companhia o pesadelo de muitos concorrentes, mas também permite que Trump tenha bastante lugar para procurar e, se quiser, atacar a gigante do e-commerce. Desde o regime de tributação da empresa até os contratos com órgãos do governo, como os correios dos EUA (usados para entrega dos produtos) e os departamentos de estado (vários deles, clientes dos serviços em nuvem da amazona).

O destino de JEDI

Caso Trump realmente queira machucar a Amazon, ele tem uma chance de USD 10 bilhões de dólares pela frente. Isso porque o departamento de defesa dos EUA já iniciou o processo de licitação para uma arquitetura de serviços em nuvem. Chamado de Joint Enterprise Defense Infrastructure (ou JEDI), o projeto pretende criar uma rede de serviços em nuvem que unifique os dados do Pentágono. Até algumas semanas atrás,  a Amazon era considerada franca favorita nessa concorrência. Isso porque a AWS, divisão cloud da empresa é uma das líderes do mercado. Algumas agências do departamento de defesa norte-americano até já estavam se preparando para a mudança. O contrato para manter toda essa infraestrutura seria de dez anos. Com a "ameaça Trump", tem gente considerando que a corrida ainda está aberta – e foi isso que um porta-voz do próprio Pentágono disse à CNBC.

A Amazon contra-ataca

Mas, claro, os rebeldes de Seattle não ficariam calados. Talvez já prevendo uma futura derrota, a Amazon está colocando as barbas de molho. E entregou um requerimento protestando contra uma licitação de USD 25 milhões vencida pelo Google para prestar serviços para a Academia Militar dos EUA, também conhecida como West Point. Segundo a AWS, a concorrência foi injusta.

Ok, alguém pode dizer que essa é uma batalha bem menor em relação ao contrato JEDI, que será assinado em setembro. Só que mostra que a Amazon está disposta a tomar a ofensiva para manter suas bases protegidas (quem lembra daquele jogo de tabuleiro chamado WAR?).

Jeff, I am your president

Assessores do presidente americano, doravante chamados aqui de “turma do deixa disso”, apontaram que a Casa Branca não tem nenhum plano de “retaliação” direcionado ao senhor Bezos. Já a Amazon, pelo menos publicamente, mantém uma postura ~serena~ e acredita que os ataques de Trump tenham motivação pessoal. Principalmente,  por conta da cobertura que o Washington Post faz do dia a dia de governo do magnata. De qualquer jeito, assegurar o projeto JEDI é estratégico para a Amazon. Nem tanto por conta do dinheiro, já que a divisão AWS fatura cerca de USD 5 bilhões por quarter, mas para garantir mais um clientão e consolidar a expansão dos serviços governamentais da empresa. Com a palavra, o presidente dos EUA.

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