O pessoal do YouTube deveria jogar as mãos para o céu e agradecer Facebook e Zuck por estarem dominando as manchetes do mundo tech. Quem sabe assim, talvez, recentes acusações feitas por mais de 20 entidades que representam os direitos do consumidor nos EUA passem despercebidas? O papo é pesado: as organizações acreditam que a plataforma de vídeos está violando a privacidade de crianças que utilizam seus serviços.

Não é brincadeira

Segundo a lei norte-americana, toda empresa de tecnologia/internet precisa pedir o consentimento dos pais antes de fazer o uso de dados de menores de 13 anos. Isso inclui qualquer detalhe que possa ser utilizado para identificar, localizar ou contatar uma criança. Para cumprir com as regras e também para ter um controle maior do que os pimpolhos podem assistir, o YouTube direciona usuários mais novos a seu outro serviço, o YouTube Kids. De um jeito bem simples (para quem não é pai ou mãe) trata-se de um ambiente controlado, no qual os vídeos exibidos são selecionados a partir da versão principal do YT e os dados dos usuários não são coletados.

Já a versão ~para gente grande~ da plataforma é direcionada para maiores de 13 anos. Ao assistir um vídeo por lá, você confirma que é mais velho e que está de acordo com os termos do serviço. Isso significa, dentre outras coisas, que você está OK com o fato de que seus dados, como sua localização e device, poderão ser usados pelo YouTube para anúncios direcionados. O problema estaria justamente aqui. Não é toda criança que entende que não pode entrar no site principal da empresa.

Comigo não morreu

As entidades de defesa do consumidor alegam que o YouTube não só sabe que crianças consomem vídeos em seu serviço principal, como aproveita para colocar propagandas infantis nesse conteúdo. Assim, a empresa também estaria dando mostras de que sabe muito bem os canais nos quais os pequenos batem ponto. Tipo naquele youtuber legal que faz gameplay de Minecraft, canções infantis e os mega-populares vídeos de unboxing de brinquedos (sim, crianças abrindo ovos surpresa gigantes da Disney).

A empresa se defende dizendo que criar um ambiente seguro para crianças "é prioridade", mas manda um "não é minha culpa" no que diz respeito ao seu site principal. Justifica que, ao acessar o "YouTube mesmo", o usuário concorda com os termos de serviço e informa ter a idade mínima. Mas como você explica isso para o seu afilhado de três anos procurando pela Galinha Pintadinha… Como?

YouTube, o algoritmo e as crianças

Se há controvérsias na forma como o YT divide sua audiência, o "parquinho" de vídeos também é o terror das associações de pais. Em agosto do ano passado, o Google foi forçado a anunciar medidas para proteção das crianças por conta de uma série de vídeo-paródias com conteúdo violento e inapropriado. Sim, estamos falando de Peppa Pig com uma metralhadora ou a Patrulha Canina possuída por um demônio. Para evitar o problema, a empresa facilitou a forma de denunciar conteúdo nessa linha.

Peppa Pig no YouTubeVersões "lado B" de desenhos famosos ainda causam polêmica no YT

Corta para abril de 2018 e o problema continua. Tanto é que a Big G deve anunciar um método inovador para moderação dos vídeos: seres humanos. Ou seja, o algoritmo não anda fazendo um bom trabalho na hora de separar os adultos dos meninos e das meninas. Enquanto estivermos longe de um cenário ideal, a humilde dica desta newsletter é que os pais fiquem (muito) de olho no que rola nos tablets/smartphones de suas crianças. E, quem sabe, considerem outras opções de entretenimento, do tipo cubo mágico, peão e bambolê?

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