O papo não é nada novo: agricultura é coisa séria. Por mais cosmopolita que seja ler este texto na tela do seu smartphone, ainda somos intensamente influenciados pelo campo. O historiador queridinho de geral,  Yuval Harari, conta em Sapiens: uma breve história da humanidade que a revolução agrícola foi crucial para moldar nossa sociedade. E, ao que parece, a próxima onda tecnológica deve vir de lá.

Ao menos é o que diz um relatório divulgado ontem pela BMI Research. Isso porque estamos prestes a enfrentar um cenário climático complicado. Secas frequentes, inundações e tempestades fazem parte do cenário para as próximas décadas. E a tecnologia precisa aparecer para salvar o dia. Ou, para ser mais preciso, a espécie. Nas palavras do relatório: "o setor de agronegócio deve oferecer terreno fértil para a confluência de tendências tecnologias".

Revolução no campo

Com uma situação climática das mais difíceis, vai ser necessário aumentar a eficiência nas colheitas e desenvolver técnicas mais amigáveis ao meio ambiente. Muito abstrato? Lembra daquele experimento de plantar o feijãozinho no algodão, usando um pote de iogurte (3a série feelings)? Imagine que o professor propõe um cenário mais sádico: o feijão é tudo que você vai comer, por isso, precisa fazer esse troço brotar logo. E tem mais: água e tempo de sol vão ser racionados entre os alunos da sala. O que você vai fazer? Usar um conta-gotas? Pensar em uma forma de turbinar seu pote? Pedir a ajuda do Google?

Bom, grosso modo, é o que vamos ter de fazer para sobreviver. Mas o desafio está longe de acabar aí. Com a o aumento das temperaturas globais batendo à porta, a agricultura vai ter de encarar outra grande responsabilidade: o controle das emissões de dióxido de carbono. O setor lidera a lista de emissores de dióxido de carbono.

Startup caipira

Ao longo dos últimos anos, muitas startups nasceram para ajudar a aumentar a eficiência das produções, com soluções para a eliminação de pragas, uma seleção de produtos mais rápida e tecnologias geoclimáticas. Mesmo assim, ainda não temos um Uber ou Airbnb da agricultura. Segundo a BMI, o jogo está para mudar, com o declínio da mão-de-obra intensiva e ascensão do capital intensivo. Ou seja, num futuro bem próximo, teremos agricultores confiando em IA para obterem safras melhores (e lucros também), além de reduzirem resíduos por meio de robôs.

O futuro promete o domínio das máquinas, mas não do jeito que a maioria das pessoas imagina. Quando cada novo grão conta, vamos ser governados pela agricultura de precisão. Para quem achou as previsões um tanto desesperadoras (e são), o levantamento termina com palavras otimistas: "a mudança climática pode ser vista como a maior ruptura que as companhias já enfrentaram". Por via das dúvidas, melhor começar a colocar menos água no feijão.

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