Manja quando todos os seus amigos estão se casando e você olha para a namorada (ou namorado) e diz: “e aí?”. Então. Basicamente, é isso o que está rolando entre a americana Boeing e a campeã nacional Embraer. Ontem, o ministro da Defesa do Brasil, o general Joaquim Silva e Luna, afirmou que uma possível união entre as duas companhias de aviação deve mesmo “acabar em casamento”.

WTF?, você pergunta. Calma, a gente explica:

#TBT

A história entre as empresas já vem de algum tempo, mas chegou aos olhos públicos quando a Bloomberg publicou uma reportagem afirmando que as duas estavam, de fato, se conhecendo melhor. Segundo a reportagem, ambas vinham alinhando uma possível joint venture, que seria controlada pela Boeing, com o objetivo de que combinassem suas áreas de marketing, fabricação e engenharia. Isso em fevereiro deste ano. Curiosamente (ou não), quatro meses antes, duas concorrentes de Boeing e Embraer decidiram atar os laços — ou quase isso. A francesa Airbus comprou o programa de aeronaves C Series da made-in-Canadá, Bombardier, criando uma espécie de encrenca para a Embraer. É que a canadense é a maior concorrente da brasileira quando o assunto são jatos de até 150 assentos (AKA aeronaves de porte médio).

A notícia veio em tempos complicados, porque a empresa nacional começava a ver suas entregas andarem num passo lento, depois do lançamento da nova geração dos aviões E-Jets. Assim, alguma movimentação no setor já era esperada, com o propósito de peitar a união franco-canadense. Do lado da Boeing, há o interesse em colocar um novo avião de porte médio no mercado. E há alguma pressa em fazer isso também. Para o analista Ronald Epstein, do Bank of America, a companhia americana gostaria de apressar o matrimônio, para evitar uma possível atração entre a Embraer e a chinesa Commercial Aircraft, que já vem mandando seus xavecos na brasileira.

Do jeito que você me olha, vai dar negócio

As empresas ainda estão negociando o formato da transação. O que dá para especular agora é que parece que o Brasil está mesmo disposto a ceder sua “menina dos olhos” à empresa dos EUA. Desde sua fundação, há quase 50 anos, a Embraer tem sido uma das filhas favoritas dos governos brasileiros, por dois grandes motivos. Primeiro, por sua posição estratégica no desenvolvimento de equipamentos militares. Depois, pelos bons resultados comerciais que trouxe até então, algo raro para empresas governamentais que vão para o mercado.

Fato é que ainda não se sabe qual vai ser a participação do poder brasileiro na história. Atualmente, o governo tem poder de veto numa possível aquisição da Embraer. Mas, pelo menos se depender da fala do general ontem, a resposta da noiva deve ser um belíssimo “yes”.

Acordo pré-nupcial

Apesar de ter dado pistas da resposta, o ministro da Defesa (que assumiu o posto em fevereiro, diga-se de passagem) não entrou em detalhes sobre o tipo de “casamento” que deve ocorrer entre as duas companhias. Resumindo, não se sabe se a Boeing vai ter controle total ou parcial da Embraer ou mesmo como a união ocorrerá. Fato é que o acordo pode ir além da linha de aviões comerciais e envolver até mesmo uma forcinha da companhia americana na venda de aviões militares de porte médio brazucas. Fato é que a reação dos investidores à fala de Silva e Luna foi mais positiva que arroz de festa: as ações da Embraer subiram 6,3%, enquanto as da Boeing tiveram um up de quase 2%. Daí é esperar para ver se o céu é mesmo o limite para as companhias.

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