Desde que decidiu dar adeus à ideia de desenvolver um drone fotográfico e mandar embora 20% de seus funcionários, a GoPro procura uma empresa para chamar de mãe. E parece que a proposta de um novo lar deve vir da China. Ontem, Bloomberg e The Information lançaram que a Xiaomi está considerando fazer um lance pela empresa americana.

There goes my (chinese) hero

Chegou agora e quer sentar na janelinha? A gente ajuda. Depois de fazer aquele cara serião do trabalho começar a mostrar seu lado aventureiro e popularizar os paus de selfie, a GoPro vem perdendo o hype. A receita com as câmeras descoladonas vem caindo trimestre após trimestre e as tentativas de colocar novos produtos no mercado, como ferramentas de edição de vídeo e drones fotográficos, não foram nada mais do que frustradas.

O mercado acompanhou a movimentação da empresa. Quando fez IPO, em junho de 2014, suas ações chegaram a bater mais de USD 85, fazendo a companhia alcançar um market cap de USD 3 bilhões. Em fevereiro deste ano, o valuation caia para menos de USD 1 bilhão e as ações eram negociadas a menos de USD 10. Foi nessa mesma época, inclusive, que o CEO, Nick Woodman, abriu o jogo: “if there are opportunities for us to unite with a bigger parent company to scale GoPro even bigger, that is something that we would look at.”

Go pro or go home

Do lado da GoPro, os benefícios de uma possível aquisição da Xiaomi são bastante claros. Encontrar uma mãe adotiva disposta a injetar capital e, mas importante, ajudá-la a desenvolver novos produtos parece ser a única solução para uma empresa ansiosa pela definição de seus próximos passos. A chinesa seria a mama ideal para o papel, já que tem experiência com a fabricação de uma lista imensa de itens.

Aqui no Ocidente, só conhecemos os smartphones, mas, na China, a companhia faz desde roupas e malas de viagem até panelas de arroz. Tem também outro ponto. Um dos principais erros cometidos pela GoPro ao longo de sua história foi ter mantido o preço dos modelos Hero 5 Black e Hero 5 Session lá em cima, mesmo depois de um ano do lançamento deles. O próprio CEO chegou a admitir a gafe. E, se tem uma área na qual a Xiaomi sabe brigar, meus amigos, essa área é a de preços.

Para a Xiaomi, o negócio não seria ruim. Em setembro do ano passado, a companhia tentou engatar a sua própria câmera esportiva, desenhada para concorrer com a GoPro. Mas se os negócios não andam bem para quem praticamente colocou o pau de selfie no mundo, imagine para um copycat. Fora isso, diversificar o portfólio com uma marca sólida e conhecida no mundo todo pode ser um bom caminho para conquistar ainda mais espaço em terras distantes da Grande Muralha.

A marca sólida como a GoPro pode ser tudo que a Xiaomi precisa para conquistar ainda mais espaço no ocidente

Huan ying, GoPro

No começo do ano, a GoPro contratou o banco de investimentos JP Morgan para buscar um comprador. Até março, ninguém havia dado sequer um sorriso de interesse na aquisição. A fabricante de drones DJI foi uma das companhias abordadas, mas as conversas não foram para a frente porque ela “não via valor na GoPro”. Os aventureiros chora.

De lá para cá, as ações acumulam uma baixa de 36%. Seu valuation está abaixo dos USD 700 milhões. Mesmo assim, o The Information estima que a Xiaomi poderia pagar USD 1 bilhão pela empresa. Os caras usaram como comparação o quanto a Hewlett Packard (famosa HP) pagou pela Palm, uma fabricante de eletrônicos que passava perrengues em 2010. Se a coisa vai para a frente ou não, é difícil dizer. Mas é certo que só essa mini-fofoca fez bem para a saúde da GoPro. Ontem, as ações atingiram o pico de 8,8% e fecharam com uma leve alta de quase 1%. Os aventureiros pira.

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