Depois de seis semanas do estouro do escândalo com a Cambridge Analytica, pode-se dizer que havia certa apreensão sobre o que Mark Zuckerberg ia falar durante o F8 (AKA o "Evento do Facebook"), que rolou ontem. A apreensão durou pouco. Antes mesmo de subir ao palco, Zuck já estava no FB escrevendo textão sobre um novo controle de privacidade para a rede social. Chamado "Clear History", ele permitirá que usuários desativem uma das principais práticas de coleta de dados da plataforma: a do histórico de navegação das pessoas.

Um breve #TBWednesday

A palavra "privacidade" vem perseguindo Zuck e o Facebook. No final de março, o jornal The Guardian reportou que 50 milhões de pessoas tiveram suas informações vazadas para a empresa de marketing Cambridge Analytica. Depois, descobriu-se que foram mesmo 87 milhões, mas esse é só um detalhe. Acontece que os dados eram usados para a manipulação de conteúdo e a criação de fake news dentro da rede social. O poder do esquema era tamanho que teve impacto sobre dois dos eventos mais importantes do cenário mundial recente: a última eleição americana e a votação do Brexit. E então, Zuck teve de depor ao Congresso americano e a responder a algumas perguntas sérias e outras meio bizarras.

De volta a esta quarta (sofrendo com o fim do feriado)

Daí que uma das maneiras pelas quais a CA obtinha essas infos era usando um desses apps que se conectam pelo Facebook (do tipo "descubra qual raça de cachorro parece com você"). Só que, na verdade, a rede social era capaz de captar muitos e muitos mais dados sobre do que aqueles expostos na plataforma. Tudo isso porque alguns desenvolvedores de aplicativos usam os plug-ins de software do FB. Assim, enviam dados, como o do histórico de navegação de seus usuários, de volta para a companhia de Zuck. Isso acontece mesmo que você sequer tenha uma conta na rede social.

Os motivos para o Facebook querer saber por onde você anda no WWW são vários. O mais óbvio deles é para conseguir identificar quais os melhores anúncios que pode exibir a você, quando você acessa a sua timeline. É por isso que quando você busca por "buquês de flores para o Dia das Mães" na internet, por exemplo, pode se deparar com uma publicidade de "rosas com entrega grátis em São Paulo" quando entrar no Facebook mais tarde.

Você decide

Enfim, a novidade é que você poderá desabilitar essa coleta de infos. Com o "Clear History" será possível apagar os dados dos servidores do Facebook ou solicitar à companhia que não pegue seus dados. Feito isso, existe a chance dessas infos ainda serem mantidas, mas num conjunto anônimo e disponibilizado para empresas que usam o Facebook para fins de análise. No entanto, nada estaria vinculado ao seu perfil ou seria usando para direcionar conteúdo / publicidade a você. Se você escolher apenas apagar as informações, saiba: não será tão instantâneo quanto fazer miojo. A empresa disse que deve reter os dados por um "curto período", que promete ser menor do que os atuais 90 dias.

Matando dois coelhos com um Facebook só

A mudança vem em bom tempo. Não só pela leva de usuários zangados com o approach da maior rede social do mundo, mas também por conta de uma região que atende pelo nome de União Europeia. Novas regras de privacidade para as empresas que operam por lá estão em vias de entrar em vigor (tipo no final deste mês). A General Data Protection Regulation foi criada para fortalecer a proteção de dados pessoais dos europeus.

Ainda não se tem muitas informações sobre como esse "Clear History" vai funcionar ou como os dados poderão ser mantidos, dissociados das contas. Mesmo assim, começar o rolê tocando no sensível assunto "privacidade" ajudou Mark Zuckerberg a manter o carão durante o F8. Ainda mais com a ajuda do report do primeiro quarter, que saiu semana passada e tombou os inimigos.

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