A saga de Rubinho

Andy Rubin passa por uma fase difícil. O criador do Android fundou a Essential com o objetivo de fabricar o melhor celular do mundo. O aparelho foi lançado no ano passado e até recebeu bons reviews. Mas, num mundo dominado por Apple e Samsung, o Essential Phone não foi lá um hit de vendas. O preço salgado e o fator “competição de duas gigantes” não ajudou. Então, uma nuvem do passado apareceu para atormentá-lo. Alegações de má conduta da época em que trabalhava no Google fizeram com que ele se afastasse da cadeira de CEO, em novembro. A virada para 2018 tampouco foi gentil. O sujeito considerou colocar o negócio à venda e cancelou uma nova versão do Essential Phone. Só que toda história tem uma reviravolta. Talvez, esta seja a de Rubin (insira aqui uma música inspiracional de sua escolha).

O rival

Você deve lembrar que Steve Jobs tinha um sonho para a Siri: transformá-la numa espécie de Samantha, daquele filme Her. Uma amiga do usuário, capaz de tornar sua vida infinitamente mais fácil. Dá para dizer que, hoje, a inteligência artificial da Apple está bem longe de uma assistente virtual que canta The Moon Song para você. Apesar de até tentar fazer as vezes de rapper, a Siri não é nada mais do que uma provedora de respostas. Isso quando ela entende as perguntas. Você deve lembrar também (ou, ao menos, imaginar) que Steve Jobs odiava o Android. Achava que o sistema operacional criado pelo Google não passava de uma cópia do iOS. Mas, talvez, o cara que esteja mais perto de desenvolver uma Samantha para seu smartphone seja justamente o criador do Android.

A missão

A nova empreitada do moço Rubinho é entregar um aparelho que consiga, essencialmente, se é que vocês me entendem, ser uma versão virtual de você. Numa entrevista ano passado, ele havia dado a letra: queria criar um mecanismo que permitisse ao usuário curtir a vida adoidado e não precisar sequer tocar no smartphone. Nesse cenário, por hora utópico, o aparelho faria tudo por você. Ou quase tudo. Até onde se sabe, o trabalho da Essential hoje gira em torno de uma IA capaz de enviar mensagens e responder e-mails usando padrões comportamentais e de escrita do usuário. Também conseguiria fazer ligações (achamos importante dizer).

O desafio

Quem teve acesso ao desenvolvimento diz que a Essential planeja um smartphone com tela menor e que utilize comandos de voz como a principal forma de interação. Tudo baseado em inteligência artificial a dar com pau. O primeiro protótipo do aparelho deve dar as caras (telas) até o final do ano e ser apresentado ao mundo durante a Consumer Electronic Show, em Las Vegas. A aposta é bastante alta para Rubin. Primeiro, porque a Essential tem USD 300 milhões em investimento por trás e se tornou uma das mais ambiciosas startups de eletrônicos de consumo no Vale. Depois, porque tirar essa Samantha do papel vai ser difícil. Siri, Alexa e até mesmo o Google Assistente são provas de que é complicado ir além da definição de alarmes e truques semelhantes numa assistente virtual.

Continua...

Tem mais. Uma parte importante do apelo para esse novo dispositivo é evitar o uso compulsivo dos smartphones. Segundo o criador do Android, a nova abordagem mudaria esse paradigma, ao se posicionar como um aparelho para quem precisa do básico. Como a regra é comando de voz, o foco está longe dos usuários viciados em navegar na internet, jogar Angry Birds ou checar as redes sociais. A potencial cliente aqui seria o adepto do ~detox digital~. Sacou? Acontece que, para entregar esse resultado, Rubin vai ter que provar que consegue mudar radicalmente um mercado que ele ajudou a popularizar. Ou quebrar a empresa tentando.

Essencialmente radical via The Brief