Veggie is the new sexy

Se alguém te mandar vender batatas, talvez seja bom seguir o conselho. Uma startup que comercializa vegetais recebeu um dos maiores investimentos feitos na China este ano. A Meicai, que é dona de um app por meio do qual é possível pedir diferentes produtos diretamente de fazendas, levantou USD 600 milhões numa rodada liderada por Tiger Global e Hillhouse Capital, na semana passada. Assim, acumula USD 1,5 bilhão em aportes e atinge um valuation de USD 7 bilhões. Para dar uma ideia de como a empresa cresceu que nem mato: em janeiro, era avaliada em USD 2,8 bi.

Vegetais meteóricos

A startup foi fundada por um sujeito chamado Liu Chuanjun, que é cientista de foguetes. Ele é o terceiro filho de um casal que cultivava milho na região de Shandong. Segundo a legislação do país, porém, ele nunca deveria ter nascido, já que seis pais já tinham um menino e uma menina. A família, então, precisou se esconder das autoridades e Chuanjun passou a infância se mudando de vila em vila, pela costa chinesa. “Eu sempre soube que, se não aproveitasse o máximo da vida, eu seria um desperdício”, disse ele, numa entrevista à Wired. Chuanjun foi uma das poucas pessoas de sua terra natal que fez faculdade. Na Academia Chinesa de Ciências, estudou astrofísica e chegou a trabalhar em projetos de foguete, incluindo a espaçonave Shenzhou.

Don’t hablo chinês

A gente não sabe o que Meicai significa em chinês. A Bloomberg diz que é “lindo vegetal”, já a Wired fala em “compre vegetais” e o Google Translator resume tudo assim: “ameixa”. Mas você entendeu o rolê. Tudo planta. O negócio foi fundado em 2014, com a ideia de conectar agricultores a restaurantes, oferecendo um sistema que funcionasse em smartphones de baixo custo. A ideia era ganhar ao unir oferta e demanda. Ou seja, a companhia compra de pequenos agricultores em quantidade e distribui esses alimentos para os restaurantes com velocidade de foguete (ou algo do tipo).

Verdinhas e vegetais

Ao mesmo tempo, o serviço ajuda as duas pontas da cadeia: 1) economiza tempo dos agricultores, que não precisam ir até um mercado local para vender suas chicórias e 2) garante estoque aos chefs, ao mesmo tempo em que elimina os intermediários. Os pedidos são entregues em 12h a 18 horas, o que garante vegetais fresquinhos saindo direto das hortinhas para as cozinhazinhas de restaurantinhos em mais de 100 cidades chinesinhas. Com uma arrecadação que não tem nada de diminutivo: 10 bilhões de yuan. Ou USD 1,45 bilhão.

Coronel acelga, na estrada

O negócio cresceu feito chuchu em cerca: em 2015, apenas um ano depois de lançar a empreitada, a startup já contava com mais de 5 mil funcionários e mais 4 mil motoristas freelancers. É esse exército de motoristas que faz a Meicai funcionar. Todos os dias, das 7h às 10h, as minivans partem rumo às fazendas e, depois, distribuem os ingredientes pelos restaurantes clientes. Ter um motorista que não detona seus tomates, berinjelas e outras iguarias gastronômicos é tão essencial que a empresa estudou os formatos de avaliação praticados em ride hailings como Uber e Didi e instituiu um modelo militar. “Os motoristas podem ser promovidos para sargentos, general ou tenentes, com base na pontualidade, avaliações de clientes e taxa de retenção”, explica Chuanjun. Para os freelancers, especialmente de áreas rurais, o modelo garante um rendimento mensal (inédito para vários deles) na casa dos USD 990 e tempo livre, no qual podem se dedicar a outras atividades.

Com quantos repolhos se faz um yakisoba

A grana levantada nesse novo round será usada para expandir os negócios da Meicai, que pretende conquistar uma fatia maior do fragmentado mercado de fornecimento de alimentos chinês. Hoje, a startup fornece produtos para 100 estabelecimentos. E, veja só, o próprio Chuanjun estima que existam mais de 10 milhões de pequenos e médios restaurantes na China. Um potencial de mercado na casa dos trilhões. Ou seja, o que não falta, é espaço para aumentar a horta.

USD 7 bilhões em legumes via The Brief