USD 9 milhões

O valor que a startup norte-americana Reach Labs recebeu em investimento nesta semana para uma causa nobre: desenvolver um carregador wireless de celulares que funcione a distância — algo que, na opinião desta digníssima newsletter, já demorou para virar mainstream. A rodada foi liderada pela DCVC (Data Collective) e contou com a participação de Y Combinator. É verdade que tecnologias wireless power já apareceram aqui e ali ao longo dos últimos anos, mas a utilidade de boa parte delas é limitada. Por exemplo: a proximidade entre os dispositivos precisa ser bem significativa para a recarga rolar. E aqui a Reach Labs tem um objetivo bastante ambicioso. Fundada em 2014, a startup concentrou seus esforços desenvolvendo soluções para alguns setores nos quais gerenciar a bateria de centenas de aparelhos é um baita desafio — como as áreas de saúde e de fabricação de veículos. O foco nesses segmentos existe porque a falta de mobilidade neles pode trazer consequências drásticas Assim, a empresa criou uma estrutura de transmissão de ondas de radiofrequência capaz de fornecer eletricidade a dispositivos a distância, em tempo real. De lá para cá, a empresa validou sua tecnologia de alcance, energia e segurança com companhias desses setores que figuram na Fortune 100. Não só isso, como ainda fechou contratos para oferecer seus serviços a algumas delas. Esta equipe, por enquanto, segue pedindo emprestado o carregador do redator Vinícius — valeu, Vini, aliás.

2

O número de meses passados desde que Jack Ma anunciou que daria início ao seu processo de sucessão na liderança do Alibaba. Na época, o bilionário chinês revelou que a despedida do cargo de CEO do gigante do e-commerce não significava sua aposentadoria. Ex-professor de inglês, Ma quer focar seus esforços no trabalho com educação e em iniciativas do terceiro setor. E não é que o chinês nem precisou passar oficialmente o bastão para começar o trabalho? Nessa semana, o homem mais rico da China lançou um hub de startups em Kigali, capital de Ruanda. O objetivo é dar assistência para que as pequenas e médias empresas do país na venda de seus produtos e serviços para os consumidores do lado de dentro da muralha. Vale lembrar que Ruanda é o primeiro país do continente africano a ser aceito na Electronic World Trade Platform (eWTP), iniciativa do próprio Ma para desenvolvimento do comércio eletrônico internacional. Sabe como é, aquela coisa de um mundo sem fronteiras e todo mundo encomendando ventiladores USB, camas-sofá, patinetes elétricos e blusinhas que encolhem na plataforma de comércio chinesa. Deixando a zueira de lado, desde sua primeira visita ao continente, no ano passado, o fundador do Alibaba já anunciou diversas ações voltadas para os africanos, como: um fundo de USD 10 milhões para jovens empreendedores, um programa de treinamento para startups de e-commerce e a criação de uma comunidade de startupeiros africanos. Por meio do tal hub lançado pelo empreendedor asiático, as empresas locais terão suporte em questões como infraestrutura operacional, logística de comércio, pagamentos móveis e treinamento. Bem, não dá para dizer que os cara e sua empresa não tenham expertise nesses assuntos, não é mesmo? Claro que os investimentos no continente vão além da brodeiragem: a ideia é capacitar jovens e startups digitais, encontrar soluções inovadoras e expandir o mercado do Alibaba para além do gigante, porém finito, mercado chinês.



911

O número da central de emergências nos Estados Unidos. Mas, se você tiver algum problema, é melhor não pedir para a Alexa ligar pedindo ajuda. Isso porque a assistente virtual dos smart speakers da Amazon não faz emergency calls. Com a expansão desses devices no mercado norte-americano — são mais de 20 milhões — é normal que esse tipo de assistente de voz receba todo tipo de pedido, em especial, em momentos delicados. No entanto, Amazon Echo, Google Home e outros não têm autorização para chamarem a polícia, paramédicos ou os bombeiros por vários motivos. O primeiro deles é técnico: a maioria desses gadgets é programado para fazer chamadas de via única — sem interagir com um atendente. Além disso, a infraestrutura do serviço é baseada nas ligações de telefone fixo — o que dificulta o envio de localização via GPS ou com base na rede de dados celulares, por exemplo. O segundo aspecto é econômico, já que a arquitetura do 911 é cobrada na terra de Donald Trump. Por lá, os consumidores pagam de USD 0,25 a USD 3,00 em suas contas de internet e telefone para garantirem esse tipo de atendimento. A terceira complicação é a regulamentação: a Federal Communications Commissions  (algo como a Anatel gringa) precisa aprovar esse tipo de recurso. Ou seja, se seu gato subir na árvore e você precisar chamar os bombeiros, a melhor opção é mesmo usar o velho e bom celular ou fixo. Ou, se depender da Alexa, ele vai continuar miando no topo da árvore por uns bons dias e noites.

 

BTW: aproveitando que falamos de Amazon, parece que o mistério sobre o novo HQ da gigante do e-commerce está perto do fim. Mas, para que criar uma nova instalação se você pode fazer duas, não é mesmo? Segundo fontes do WSJ, a empresa de Jeff Bezos deve lançar duas novas sedes, cada uma com cerca de 25 mil funcionários. Já o NY Times acrescenta que as tais cidades serão, muito provavelmente, Crystal City, na Virgínia e Long Island, em Nova York. Enquanto a gigante do e-commerce não se decide, a gente continua achando surreal uma cobertura de Copa do Mundo para a cidade que vai “ganhar” as instalações amazonas. Mas, por outro lado, os yankees devem achar surreal que a gente se importante tanto com Copa do Mundo. Vai entender.

 

10 minutos

O tempo que os usuários do Messenger, o app de comunicação do Facebook, terão para apagar uma mensagem enviada por engano — ou caso tenha batido o arrependimento mesmo. A novidade foi publicada ontem pela empresa de Palo Alto, na página do aplicativo hospedada na App Store. O boato de que esse recurso estaria disponível vem desde abril, quando o TechCrunch pegou o Facebook no pulo, ao ouvir de fontes que as mensagens enviadas a elas por Mark Zuckerberg tinham desaparecido do histórico, deixando a impressão de que elas estavam falando consigo mesmas dentro do chat, sem que CEO tivesse interagido na conversa. Para os meros mortais, é possível apagar as conversas que aparecem na sua caixa, mas elas ainda aparecem para quem as recebeu. Na época, a companhia afirmou que seus executivos não removeriam mais nenhuma outra mensagem e que, em breve, todos os inscritos na rede social poderiam fazer o mesmo. Os testes mais abertos começaram em outubro e parece que agora é só questão de tempo para a opção de delete estar disponível nos smartphones de quem tiver o Messenger instalado.



USD 150 milhões

O valor que a monashees, a maior firma de venture capital do Brasil, acabou de levantar. Da relação de nomes que reuniram a grana, obtida após uma rodada de investimentos, estão executivos como Mike Krieger, cofundador do Instagram, e a Temasek Holdings, companhia fundada pelo governo de Singapura. Apesar de desconhecida por quem não faz parte da panelinha das verdinhas, a monashees é famosa por colocar dinheiro em negócios que bombaram em seus respectivos mercados. Dois exemplos: a 99, quando ainda estava em estágio inicial, e no Rappi, a startup colombiana de entregas. A soma é a segunda maior já angariada por uma VC da América Latina. O #1 está com a argentina Kaszek, que conseguiu USD 200mi ano passado. A notícia é importante porque valida a percepção de que, aos poucos, os lados de cá estão cada vez mais na mira dos peixes grandes do mercado de investimentos em startups. E habemus números para provar. De acordo com Associação de Investimentos e Capital Privada da América Latina (que deu entrevista para o The Information), o total de aplicações em capital de risco mais do que dobrou em comparação com 2017, ultrapassando pela primeira vez a soma de USD 1 bilhão. A aquisição da já citada 99 pela Didi Chuxing e os bons resultados que PagSeguro e Stone Pagamentos conseguiram na Bolsa de Valores de Nova York também foram citados como marcos de que o mercado latino-americano está cada vez mais bem quisto no exterior. Na análise de Kevin Efrusy, do Accel Partners, em geral “se leva uma década de investimentos para desenvolver um ecossistema consistente de venture em um mercado emergente. [...] América Latina está se aproximando dessa década e finalmente estamos vendo os resultados”.  Pelo sim e pelo não, pode ser uma boa dar aquela revisada marota no pitch deck.

'Vem aqui, dinheiro', diz a monashees via The Brief