Uma investigação do The Intercept revelou 46 registros de estupros realizados em veículos de aplicativos de transporte, como Uber e 99 (que também conta com táxis). Entre os dados descobertos, entre 2016 e julho de 2018, das 27 solicitações feitas com base na Lei de Acesso à Informação, só oito foram respondidas — e “poucas de forma satisfatória”, nota o veículo.

Nos últimos dois anos, pelo menos 70 pessoas relataram ter sido vítimas de algum tipo de violência sexual em táxis e veículos de transporte particular

Os 46 casos de estupro aconteceram na Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. O Intercept ainda nota que estes foram os únicos estados que enviaram dados padronizados em relação aos aplicativos, então, foi possível realizar uma comparação.

“Nos últimos dois anos, pelo menos 70 pessoas relataram ter sido vítimas de algum tipo de violência sexual em táxis e veículos de transporte particular (assédio sexual, ato obsceno, estupro, importunação ofensiva ao pudor e violação sexual mediante fraude — quando alguém droga a vítima, por exemplo, ou toma alguma outra atitude para dificultar ou inviabilizar a manifestação de sua vontade)”, escreve o veículo. “O número, no entanto, pode ser muito maior — a polícia não contabiliza os dados específicos ocorridos dentro de veículos, e as empresas se recusam a divulgar os casos à imprensa”.

A Uber é a líder em número de usuários entre os apps de transporte: 20 milhões de clientes. Não diferente, também acaba sendo a líder em denúncias. Só em São Paulo, 143 boletins faziam menção ao app, enquanto seis citavam a 99 (14 milhões de clientes). Vale notar que a Cabify, com 3 milhões de clientes, não foi citada.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 65% dos estupros não são denunciados à polícia

O número de casos pode ser ainda maior: “os números, embora altos, são certamente uma pequena fração dos abusos envolvendo aplicativos como Uber, Cabify e 99 e os táxis de rua. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 65% dos estupros, por exemplo, não são denunciados à polícia – e essa é a estimativa mais otimista. A Pesquisa Nacional de Vitimização estima um número bem mais preocupante: 92,5% dos estupros não são notificados no Brasil. As demais formas de abuso, como o assédio, embora mais comuns, são ainda menos denunciadas”, escreve o Intercept.

Descobertos 46 registros de estupros em Uber, 99 e táxis via TecMundo