Inspiração é um troço complicado. Não existe uma regra para quando esse entusiasmo criativo bate. Para a maioria das pessoas é mais como uma brisa ou  — algo que vai e volta de forma meio errática. Todo mundo já teve um desses momentos de “eureka”, quando sente aquele lampejo genial, espontâneo. Um cantinho de boas ideias num mundão de monotonia. Tipo aquele estalo enquanto você toma banho ou planta suas cenourinhas na hortinha do prédio. Seria fácil descrever o quão oportunos são esses insights. Mas, o papo aqui é sobre o que fazer quando a coisa simplesmente não vai.

O ilustrador e designer Christoph Niemann tem uma visão bastante “pé no chão” sobre seu processo criativo, que pode ser adaptada para qualquer trabalho, desde uma planilha de planejamento até um texto de relatório, passando por aquela apresentação importante. Em uma palestra sobre o tema, em 2013, o alemão explica seus dias úteis: acorda, leva os filhos para a escola e passa oito horas de agonia tentando desenvolver seu trabalho. “O processo é totalmente assustador. A pior parte é pensar num conceito. Toda vez estou convencido que foi a última vez e nunca mais vai acontecer outra ideia igual, estou condenado. Então, há um rápido momento de felicidade, quando você sente um clique. E voltamos para a tensão mais uma vez, quando tento não estragar a ideia com um desenho ruim”, revela o ilustrador de capas da famosa revista New Yorker.

Niemann, que também estrela um episódio da série Abstract, produzida pela Netflix, faz até um gráfico para explicar a situação:



Depois de horas e horas sentado em sua mesa, Niemann chegou a uma fórmula: 87% de esforço, que ele descreve como “extremamente difícil e nada glamuroso”. O resto é 7,5% de sorte, uma pitada de 0,5% de talento. Ah, tem mais 5% que ele diz ser o mais complicado: ficar 90 minutos consecutivos fora da internet. No fim das contas, talvez, a lição sobre criatividade seja apenas essa: desligue o que te distrai e apenas faça.

CEO 24/7: existe fórmula para ser mais criativo? via The Brief