I did it my Way(mo)

Como se o recesso de final de ano não fosse motivo suficiente para contarmos os dias para a chegada de dezembro, a Waymo vai lá e pá! A partir do próximo mês, o braço da Alphabet colocará seu serviço de carros autônomos para rodar em Phoenix, no Arizona. É um big deal. Estamos falando da primeira operação comercial de carangas sem motoristas a ser oferecida no mundo. Em outras palavras, caros leitores: o sonho é real. Fora introduzir ao mundo como uma vida driverless pode ser, a empresa irá mostrar o resultado de um trabalho ultrassecreto desenvolvido ao longo de anos. Ah, e também entrará na disputa do mercado de ridesharing, se tornando a nova rival de Uber e Lyft.

Slow Ride

A coisa vai começar pequena. Antes de fazer um baita evento com confete e purpurina para anunciar a novidade ou mesmo de disponibilizar o serviço nas lojas de apps, a Waymo quer fazer mais testes. Fontes próximas ao programa contaram à Bloomberg que o plano é recrutar dezenas ou centenas de passageiros autorizados para andarem por aí, cobrindo uma área de 100 quilômetros quadrados. Provavelmente, essa galera deve vir da lista Early Way Rider da empresa, formada por 400 famílias voluntárias que já trafegam de Waymo há mais de 1 ano. Elas, aliás, finalmente serão liberadas de seus contratos de non-disclosure e poderão falar à vontade sobre o serviço, tirar fotos, convidar a galera da imprensa para corridas e até os amigos. E essa é a hora em que a gente reconsidera as amizades que fizemos na vida. Aos poucos, conforme a frota de veículos crescer, novos usuários serão adicionados aos testes. Ah, vale saber que, a princípio, a maior parte da frota contará com um motorista de backup, uma vez que: vai que dá ruim. A intenção, no entanto, é que as minivans Chrysler Pacifica usadas pela marca se virem sozinhas em 99,9% do tempo.

Conduzindo misters Brin e Page

Ser a primeira não é novidade na história da Waymo. Em fevereiro, a empresa anunciou que seus veículos conseguiam rodar mais de 5 mil milhas sem precisar de intervenção humana. Para quem chegou agora: esse é o indicador mais relevante para falar sobre o avanço dos self-driving. Para dar uma ideia do que esse número significa, a segunda colocada é a GM Cruise, cujos carros são capazes de percorrer um pouco mais de 1 mil milhas sem precisar de uma mãozinha humana. Falando nela, há algumas semanas a montadora americana anunciou que tem planos um tanto parecidos com os da Waymo: pôr nas ruas um serviço de táxis autônomos no ano que vem. Até falamos disso aqui. O fato é que, apesar de a concorrência se aproximar, o braço da Alphabet vai ter a chance de aproveitar as vantagens de ser a pioneira. Primeiro, porque vai ganhar credibilidade. Fora que vai poder dar uma arrancada maneira na construção de toda a infraestrutura necessária para a parada se desenrolar tranquilamente: desde a rede de veículos, passando por estabelecimentos de manutenção para os autos e até programas atraentes a ponto de roubar a clientela de Uber e Lyft.

Nada de bandeira 2

Agora, vamos falar sobre preço. Ou melhor, não falar. É que, por enquanto, o objetivo é mais aprender sobre como escalar a operação com segurança do que fazer a grana brotar. A Bloomberg diz, porém, que, no lançamento do serviço, a Waymo deve oferecer tarifas competitivas o suficiente para brigar com as ride-hailings. A publicação, inclusive, teve acesso a um sneak peak do app pelo qual usuários poderão viver a experiência dos carros sem motoristas: “uma interface de usuário simplificada que se assemelha ao aplicativo de navegação do Google, com as funções adicionais de um app padrão de caronas”. Não tem foto, mas dá para imaginar um Google Maps com toques de Uber, vai. Conforme for ganhando experiência no rolê, a empresa vai eliminar os motoristas de backup da equação e, assim, os preços do serviço devem ficar ainda mais camaradas. Veja bem, não há profissionais para remunerar.

O sonho do carro (sem motorista) próprio

Ok, agora vamos ponderar alguns pontos. Primeiro que, cara, faz mais de 1 década que a Waymo está desenvolvendo esse programa. E o negócio não só vai funcionar com motoristas backup, como também só vai rodar em uma pequena área geográfica com condições de direção ideais. Além disso, os clientes vão ter de esperar para participar do rolê. Sem falar que, como toda tecnologia que sai do forno, ainda deve demorar para a iniciativa se provar um negócio lucrativo. Mas a gente repete: o sonho é real. E principalmente porque não é só a Waymo que está nele. Ontem mesmo, a Ford anunciou uma parceria com o Walmart para fazer delivery de compras com carros da montadora sem motoristas. E o negócio é que quando você tem um monte de gente na direção do mesmo destino, a gente chega lá rapidinho.

Waymo takes the lead via The Brief