Rainha dos teclados

Já tem um tempo que o curso de Ciências da Computação não é o sonho de consumo dos jovens do Reino Unido. Só em Cambridge, uma das universidades mais topzeras do país, o número de matrículas para cursar a disciplina diminuiu em dois terços, passando de 600 pedidos em 1999 para 200, em 2008. E não é como se o país não tivesse tradição nesse meio. Só para lembrar, o reino de Elizabeth II é a terra natal de Alan Turing, cientista que criou boa parte de lógica de computação que as máquinas usam hoje em dia. Mas algo degringolou no meio do caminho e parecia que, assim como no futebol, a terra do fish & chips iria se conformar em perder a coroa numa área que ela havia praticamente ajudado a criar. Mas eis que chega o governo do Reino Unido e, num plot twist digno de quando Gandalf volta para lutar pela Terra Média, anuncia um plano de ensino nacional para computação.

Long live the dev

Ao todo, mais de 40 mil professores do reino junto serão treinados pela fundação Raspberry Pi nos “caminhos do código”. O carro-chefe da entidade é uma computador miniaturizado que tem o mesmo nome e é queridinho dos programadores DIY, além de atender desde os devs iniciantes até os cientistas da Estação Espacial Internacional por conta de seu tamanho reduzido. Os teachers capacitados pelo programa serão responsáveis por passar o conhecimento adiante para seus colegas. Assim, o Parlamento espera que toda escola pública da Inglaterra tenha aulas de ciência da computação para crianças. Se tudo der certo, o starter-kit oficial do britaniquinho do futuro vai contar com um exemplar de Harry Potter, um livro de lógica de programação  e um álbum dos Beatles. Desconsiderando o nosso fan fiction aí, o investimento inicial no projeto é estimado em USD 100 milhões.

American way of code

Era de se esperar que um programa desses saísse de algum lugar do Vale, certo? E a verdade é que várias das estrelas do mundo tech, tipo Bill Gates e Mark Zuckerberg, já financiam aulas de programação por lá. A diferença está na participação do governo no rolê. No caso da ONG norte-americana Code.org, por exemplo, apenas uma pequena parte do financiamento vem de recursos públicos. Além disso, a organização afirma que só um terço das high schools dos EUA ensinam algum curso de ciências da computação. No condado de Harry, William e Charles, o objetivo é combinar os esforços entre governo e ONGs para levar o mesmo aprendizado para todas as escolas do país. E a primeira fase já deu largada.

No dark web in the classroom

Em conjunto com a STEM Learning e a British Computer Society, a Raspberry Pi começou um programa que, em quatro anos, irá passar por 40 escolas instruindo professores dos ensinos primário e fundamental. Eles aprendem os elementos fundamentais da programação, deste a teoria até a parte de se sentar numa cadeira, ficar em desespero para fazer uma linha de código funcionar e depois conseguir fazer a bagaça funcionar sem saber muito bem o que fez de certo. E não é que os professores ingleses já são hackers da computação: muitos são gente como a gente, que chamam um sobrinho mais novo caso dê algum xabu no PC de casa.  Atualmente, já existem mais de 6 mil grupos de ensino espalhados pelo país, sendo que aproximadamente 110 mil crianças já recebem os conteúdos aprendidos pelos profes durante os workshops.

Your Majesty, the PC via The Brief