Nenhum projeto começa com uma apresentação ou invites para reuniões na Amazon. Nenhuma ideia vira sprint ou protótipo antes que um memo, de aproximadamente seis páginas, seja redigido sobre o novo produto ou serviço. A cultura de escrita é tão forte na empresa, que “escrever bem” é decisivo na carreira das lideranças para os lados de Seattle. Nada mais do que justo quando pensamos que Jeff Bezos criou a empresa para vender livros, não é mesmo?

Stephenie Landry é um dos membros dessa espécie de “clube dos escritores” corporativo. Em 2014, depois de passar por um período de treinamento como outros executivos da gigante tecnológica, ela colocou no papel um de seus planos: o Prime Now. O serviço entrega produtos no prazo de uma hora (por uma taxa de USD 7,99) ou de até duas horas (de forma gratuita) para assinantes do Amazon Prime. A iniciativa foi descrita em um doc que ia além das definições básicas e a mecânica. Na verdade, a autora começou com um press release do produto e foi muito além: previu um FAQ voltado para os assinantes em potencial, diretores e líderes do futuro Prime Now.

Assim como um manuscrito de escritor iniciante, o tal memo rodou o escritório da Amazon, recebendo feedbacks de todos os tipos. Mais importante do que a estrutura, o conteúdo do texto final precisava estar redondo, com tudo explicadinho, em seis páginas cheias de clareza e concisão. Aí sim entra a reunião. Gostamos de imaginar que o encontro rola em uma sala grande, com todos com participantes empunhando seus Kindles por motivos poéticos. Depois de 30 a 60 minutos de leitura, os presentes compartilham impressões, fazem perguntas e comentam os pontos fortes e fracos da iniciativa.

Com esse prólogo em mente, não é surpresa nenhuma que Stephenie Laundry tenha tirado a ideia do papel e tenha virado a VP de operações do Prime Now. Sim, o texto agradou. Atualmente, o serviço é oferecido em mais de 50 cidades pelo mundo. Uma estimativa da consultoria Cowen & Co aponta que um em cada quatro usuários do Amazon Prime já havia utilizado o serviço de entrega (super) expressa até 2016. A executiva acredita que o grande diferencial dessa cultura é permitir que os autores internalizem a perspectiva dos consumidores em cada iniciativa. “Manter as coisas concisas e diretas [para escrever] força você a pensar de uma forma que não faria em outra situação. Você não pode se esconder atrás da complexidade, tem que realmente resolver o problema”. Ela ainda manda uma dica que cairia muito bem em um discurso de escritora: “A perfeição é atingida quando não há mais nada para cortar”.

CEO 24/7: escrever bem é obrigação na Amazon via The Brief