Uma intriga internacional

A melhor coisa que poderia acontecer para o Facebook era que o ano de 2018 terminasse amanhã. E nunca mais se repetisse. A gente até tentou driblar essa notícia, por motivos de ninguém mais aguenta comentar os escândalos relacionados à rede social, mas não deu. Oi nóis aqui traveiz para explicar mais uma confusão envolvendo a companhia liderada por Mark Zuckerberg. Só que, nesse caso, a coisa não é shaddy só para os lados de Palo Alto. Uma comissão estabelecida pelo Parlamento do Reino Unido divulgou e-mails e documentos internos do FB que revelam um insight único sobre como os dados de usuários são valiosos para a plataforma e como Zuck usa essa influência como moeda de troca. Mas, antes...

Treta sem fim

Caso você esteja se perguntando como raios a papelada interna de uma empresa da Califórnia foi parar na mão do governo britânico, a resposta é simples. A velha e boa coerção. Meaning: o medo de ir parar no xilindró fez com que Ted Kramer, o cofundador de uma companhia chamada Six4Three entregar as tais informações ao Parlamento. De cara, a próxima pergunta é: “que raios de empresa é essa?”. A resposta é mais complexa: a startup desenvolveu um app, chamado Pikinis. Basicamente, era um algoritmo para que seus usuários buscassem fotos de pessoas vestindo biquínis entre seus contatos no Facebook. Você não leu errado. Era isso mesmo que ela fazia. Talvez por conta do propósito “WTF” demais, o FB bloqueou o acesso que os caras da startup tinham aos seus dados. Foi aí que começou uma contenda judicial entre a empresa de pesquisadores de trajes de banho e a gigante de Palo Alto.

Kramer  vs. Zuckerberg

No processo, que corria em sigilo de justiça nos EUA até os britânicos entrarem na jogada, a 643 acusa o Facebook de destruir seu modelo de negócios. Para construir sua tese no tribunal a startup shaddy garimpou dados como e-mails e documentos internos da rede social. Os papéis, dentre outras coisas, revelam que Mark Zuckerberg tinha plena consciência das brechas de privacidade nas APIs de parceiros dentro de sua ferramenta. Brechas que levariam ao escândalo da Cambridge Analytica. Os “Facebook Papers - parte 2” também revelam que o Facebook se acostumou a usar os dados de seus usuários como um recurso contra adversários, caso se visse ameaçado ou obtivesse alguma vantagem.

A identidade Zuckerberg

Um exemplo do boicote aos potenciais concorrentes aconteceu com o Vine. Lançado em 2013, o serviço de compartilhamento de vídeos do Twitter criou uma feature para que seus usuários encontrassem amigos utilizando o FB. Alertado por e-mail por um de seus engenheiros, Zuck mandou fechar a torneira dos dados para minar o concorrente. Em outra mensagem, o CEO da rede social mandou essa: “às vezes a melhor forma de permitir que as pessoas compartilhem algo é um dev construir um app e torná-lo social conectando o Facebook a ele. Isso pode ser bom para o mundo mas não para nós, a não ser que as pessoas compartilhem de volta no Facebook e esse conteúdo aumente o valor da nossa rede”. Os tais papers também mostram que o serviço não foi transparente em seu app quando passou a gravar chamadas e mensagens enviadas pelos usuários do sistema. Uma visão business oriented até demais, né?

Recalque bate e volta?

Nesse momento, você deve estar se perguntando “o que o Facebook diz sobre isso tudo?”. Em resposta, a rede social afirma que seus inimigos da Six4Three “pinçaram essas frases para forçar o Facebook a compartilhar informações de amigos dos usuários do app. O conjunto de documentos conta só um lado da história e omite o contexto”. Mark Zuckerberg também fez questão de postar sua versão da treta: “em 2014, para prevenir o abuso de apps, nós mudamos nossa plataforma totalmente. O que significa que aplicativos duvidosos - como o quiz que vendeu dados para a Cambridge Analytica - não poderiam mais operar na plataforma. Alguns dos desenvolvedores que foram excluídos nos processaram para reverter a mudança e terem mais acesso aos dados das pessoas. Nós temos confiança de que fizemos a coisa certa e que vamos vencer esses processos”, comentou o menino Zuck.

Tá tudo bem, né?

O CEO do Facebook também lembra que, se tivessem feito as mudanças antes, a rede social poderia ter evitado o vazamento de dados que originou o escândalo com a Cambridge. Sobre suas visões de negócios, o executivo mandou essa: “como em qualquer organização, temos uma série de discussões e sugestões de ideias. Nos decidimos por um modelo onde nós provemos plataformas de desenvolvimento de graça e os devs podem comprar anúncios. Nós consideramos modelos nos quais os devs pagam para usar nossa plataforma, como a Amazon AWS ou o Google Cloud. Mas, que fique claro, isso é diferente de vender os dados das pessoas. Nós nunca vendemos os dados de ninguém”.

Mark Zucker e o Prisioneiro do Parlamento via The Brief