Os amigos do Face

Que o Facebook nunca foi tão bão assim em resguardar os dados dos usuários, a gente já sabia. Mas o furo do NYTimes mostrou que a rede social de Mark Zuckerberg não só tinha problemas em manter a privacidade das informações colocadas na plataforma, como compartilhava com companhias gigantes dados pessoais de praticamente todos os seus usuários. A reportagem teve acesso a um documento de centenas de páginas, que registrava todas as parcerias de dados feitas durante o ano de 2017. De acordo com os registros, mais de 150 empresas tiveram acesso a algum conteúdo que precisaria de autorização expressa de cada pessoa para ser compartilhado.

Dando nome aos parças

A Microsoft, por exemplo, conseguiu que seu buscador Bing tivesse autorização para ver o nome de todos os amigos de quem realiza buscas dentro da plataforma. Já a Amazon obteve o nome e contato de todos os usuários. E funcionários de empresas como Netflix e Spotify tinham acesso às mensagens privadas de quem usava a rede social. Importante falar que nenhum dado foi vendido. O que acontecia era uma troca de favores que, em teoria, trazia benefícios para as três partes envolvidas: 1) o FB, que ganha mais usuários e aí fatura com anúncios; 2) as companhias parceiras, que usavam os dados para melhorar seus produtos e 3) os usuários, que usavam a plataforma para se conectarem com os amigos e usufruir das features oferecidas pelos tais parças. O problema é que as parceiras nunca agiram de forma muito transparente a respeito da coleta e uso dos tais dados.

Ops, they did it again

Em sua defesa, o Facebook diz que a atuação com as parceiras de integração permitia experiências sociais, como ver recomendações de amigos na Netflix ou conferir a atividade de colegas no Spotify. Segundo a rede social, nenhuma informação foi acessada sem a permissão dos usuários. A companhia de Palo Alto ainda afirma que “a maioria desses recursos foi desativada”. Por outro lado, a rede social confirma que várias dessas empresas tiveram acesso a dados como as mensagens trocadas dentro do FB. O que, parando para pensar um pouco, talvez não fosse uma troca “data versus comodidade” tão boa assim. O mercado também não parece ter gostado da informação: até o fechamento desta edição, as ações da empresa da gigante social estavam em queda.  

Estamos a 0 dias sem acidentes de dados

Ok, a matéria perdeu todo seu elemento surpresa depois de uma série de escândalos que o serviço de Mark Zuckerberg acumulou em 2018. No entanto, o relatório dá uma visão assustadora do poder que uma única empresa (e suas parceiras) tem sobre informações pessoais de 2,2 bilhões de pessoas. Meaning: os dados de geral viraram a grande commodity da era digital. A equipe da humilde newsletter que vos fala só espera, de verdade, não precisar escrever nenhuma linha sobre outra mancada do Facebook até 2019. Oremos.

Facebook e os Superamigos via The Brief