Tecnologia raíz

O Walmart revelou na quinta-feira uma nova loja em Levitton, no bravo estado yankee de Nova York. E o motivo que atrai a atenção desta newsletter para tão singelo estabelecimento é o fato de a marca chamar essa unidade de seu “laboratório” para o futuro das compras. Sim, futuro. Mas, calma, nada de carrinhos voadores ou teleporte de mercadorias (ainda). O espaço-conceito tem o nome chiquetoso de Intelligent Retail Lab — IRL para os mais íntimos (?) — e vai usar a integração de câmeras com inteligência artificial e smart-gôndolas capazes de dizer quando o alimento precisa ser trocado, por exemplo.

Dois pelo preço de um

A gente sabe que “Amazon Go” é a primeira expressão que vem à mente quando se pensa em mercadão futurista. O Walmart também está ligado nisso e já tratou de mostrar o que o seu tem de diferente. O primeiro aspecto que destoa da concorrência é o tamanho: enquanto a maior AG possui 2,1 mil metros quadrados, a unidade escolhida pela empresa de Arkansas ocupa 50 mil metros quadrados e conta com mais de 100 empregados e 30 mil itens à venda. A ideia é começar já com um modelo “da vida real” para entender o que precisa ser mudado ou melhorado nas localidades escolhidas para o makeover tech.

Vigiando a frutaria

Falando em tecnologia, o objetivo que a varejista tem com o uso dos badulaques sem fio é diferente da meta da empresa dona do Kindle. Por exemplo: ambas têm câmeras espalhadas pelo teto. Mas, enquanto na “Go” elas são empregadas principalmente para registrar os produtos comprados, no WM o papel delas é analisar o nível de estoque do que está nas prateleiras, avisando o que está em falta ou, nos casos de verduras, pode não estar mais fresco. A inteligência artificial instalada no supermercado também vai monitorar a quantidade de carrinhos de compra disponíveis para os consumidores e quantas posições de caixa registradora estão abertas.

Prateleira cheia

Se você olhou para essa novidade com um indiferente “meh”, saiba que conciliar esse tipo de elemento não é bolinho. Acontece que os devs do Walmart precisaram automatizar o sistema para detectar produtos nas prateleiras e reconhecer dados específicos, do tipo quantos quilos tem uma bandeja de carne, por exemplo. E então comparar essa quantidade com a de outros displays para prever demanda e saída, diminuindo o trabalho de quem precisa manter o inventário sempre nos trinques. Com tantas câmeras e sensores capturando e trocando dados, a loja gera 1,6 TB de dados por segundo. Sim, o equivalente a uma playlist ininterrupta de uns 3 anos. Resumo da ópera: a lojinha precisa do seu próprio data center. Para deixar tudo mais classudo, o pessoal do Walmart resolveu manter tudo naquele esquema de nave espacial, com vidro e luzinhas azuis. Tem foto? Tem foto.

Um mercado para levar a parentada

Enquanto toda essa parafernalha soa como música para os nossos ouvidos tecnológicos, a experiência pode não ser a melhor parte do dia para pessoas como nossa tia Mirthes — que só quer comprar meio quilo de patinho moído na santa paz, e não dar de cara com um apinhado de eletrônicos. Para esse público, o Walmart instalou totens explicando como essas mudanças servem para conservar a mercadoria e alguns painéis interativos, para quebrar o gelo entre humanos e máquinas. Pelo visto, o objetivo da empresa é apresentar um local vanguardista, mas com o pé no chão. Se tiver cupons de desconto, melhor ainda.

Carrinho tech via The Brief