OperAIrio em construção

Na estrada disputada que é o mercado de veículos autônomos, existe um setor que já usa essa tecnologia e quase ninguém comenta: o de construção. A vantagem que essa área leva em cima do mercado para o consumidor final é que, ao contrário dos softwares criados por companhias como Waymo e Uber, que precisam desenvolver uma solução que pense em zilhões de possibilidades, dá muito menos trabalho aplicar o modo self-driving dentro de uma obra. Isso porque escavadeiras e outros maquinários de grande porte têm restrições de mobilidade e estão em um ambiente que, naturalmente, é bem controlado. E, dentre as companhias que estão investindo nesse filão, vale destacar o trabalho batuta da Built Robotics.

Uma proposta concreta

Fundada em 2016 por Noah Campbell e Andrew Liang, a 'Built' se especializou ~no campo~ e desenvolveu soluções para as já faladas escavadeiras, além de tratores e minicarregadeiras. O pulo do gato que torna a firma competitiva a ponto de receber USD 15 milhões em investimentos é que, em vez de construir um trator independente, a equipe desenvolveu um instrumento que dá propriedades autônomas ao maquinário velho de guerra. É uma caixa que fica acima da cabine do motorista, recheada de hardwares como GPS, receptor de WiFi e o famoso LiDAR, que dá aos veículos a percepção espacial necessária para operar sem a condução de um ser humano e de forma segura. Temos foto para mostrar? Temos foto.

Operação em blocos

Além da parte física, a BR construiu um software que monitora o trabalho executado pelos bichões da edificação e apresenta informações extras, como a condição do solo, permitindo fazer aquela extração de dados pelos quais as empresas piram hoje em dia. Para tarefas em que um toque humano ainda faz a diferença, como operar em locais com grande circulação, dá para desligar a função ou utilizar um controle manual. A marca fatura ao alugar a tecnologia para outras firmas, cobrando apenas pelo período em que a função “deixa que eu faço sozinho” está ativada. E a ideia é, no futuro não tão distante, fornecer adaptadores para outras tecnologias.

Mestre de obras

Ao ver toda essa autonomia, a pergunta que a gente sempre faz é: “Quantos empregos esse tipo de máquina vai tirar?”. Nesse caso, a resposta poderia ser: “Olha, nem tantos assim”. Isso porque o mercado de construção civil já tem dificuldades para encontrar mão de obra. Então essas ferramentas autônomas até ajudariam a acelerar trabalhos que hoje travam por falta de pessoal. E, dado o potencial de faturamento da indústria de montar coisas com cimento — que pode alcançar USD 11 trilhões globalmente, segundo o co-founder Noah Campbell —, o que a galera definitivamente não quer é perder dols. É uma espécie de uma mão lava a outra, só que no caso uma das mãos é automática mesmo.

OperAIrio em construção via The Brief