Satya, o Explorer

Satya Nadella assumiu uma Microsoft que perdeu oportunidades nos mercados mais promissores dos anos 2000: redes sociais, smartphones, ferramentas de busca… e nem vamos falar da tentativa de copiar o iPod. E aí o engenheiro indiano acertou a casa. Tipo, like a pro. Duvida? Pense em uma empresa hypada e cheia de assinantes, como a Netflix. Ou, melhor, imagine uma companhia que possui uma das marcas mais admiradas do planeta, como a Apple. Sabe quem tem mais assinantes que a rainha do streaming e um market cap maior do que a senhora dos iPhones? Yep, a gigante de Redmond. Nesta semana, a Bloomberg mandou um perfil do CEO para explicar a magia do moço Nadelle. Digo, Nadella. Ah, só para constar: o Windows ainda é um negócio de USD 20 bilhões/ano. Pasmem.

Pontos de poder

Com tanto resultado positivo para colocar no PPT, é de se esperar que Satya esteja radiante, não é mesmo? Bem, só se for nas capas de revista, porque no dia a dia o cara manda esta aqui: “Eu ficaria enojado se alguém [funcionário] comemorar nosso valor de mercado”. Para o mandachuva da Microsoft, esse tipo de celebração é “o começo do fim”. Um comentário shade: a capa da Bloomberg Businessweek ficou mais brega que as meias tricotadas pela nossa tia Nicota. E olha que a velhota é esforçada. Voltando ao assunto, o fato é que o indiano é responsável por recolocar a companhia fundada por Bill Gates e Paul Allen nos holofotes.

Excel-ente gestor

Os insiders apontam que o sucesso da MS está diretamente ligado a uma verdadeira rehab cultural executada por Nadella. E, não, não estamos falando de curry ou Bollywood rolando a perder de vista no HQ. A real é que o líder foi capaz de mudar a mentalidade “fixa” de seus comandados para uma “mentalidade de crescimento”. Não foi fácil: o cara precisou cortar investimentos no Windows e focar suas verdinhas na criação do serviço de cloud computing, por exemplo. Só no ano passado, a divisão arrecadou mais de USD 34 bilhões.

Meu escritório é na nuvem

A grande vitória de Nadella — e o que fez os olhos de Gates brilharem — foi o insight de reorganizar a companhia em torno da divisão Azure. Além de conquistar clientes parrudos, como Walmart e Starbucks, o cara soube trabalhar muito bem com uma velha conhecida: a suíte Office. Ao transformar seu pacote de programas em um serviço em cloud, a empresa alcançou mais de 214 milhões de assinantes que pagam cerca de USD 99 por ano para ter acesso aos benefícios de Excel, PowerPoint, Word e por aí vai. Algumas aquisições estratégicas, como LinkedIn e GitHub, ajudam a deixar a empresa bem com duas comunidades para lá de importantes: gestores e devs. Claro que nem tudo é sucesso, afinal a Amazon ainda lidera o segmento de nuvem com alguma vantagem.

Azure da cor da cloud

Outra sacada da nova direção é resistir às tentações do hype do Vale do Silício. No lugar de investir na fabricação de um carro autônomo, por exemplo, a gigante tecnológica resolveu focar em IA e ferramentas analíticas para montadoras. Para a BMW, a Microsoft está desenvolvendo uma assistente de voz que responda a “Hey, BMW” no lugar de “Hey, Alexa” ou coisa do tipo. Uma abordagem mais prática e, provavelmente, lucrativa. Nada mal para uma companhia que “perdeu uma década” tentando ser sexy como a Apple, não é mesmo? Claro que há algumas críticas ao nadellacentrismo. Alguns dizem que a gigante tem produtos muito dispersos e que não se relacionam tão bem entre si, como os próprios GitHub e LinkedIn — além da divisão Xbox. Fato é que o menino Satya não vai ficar “esperando na janela” pelo melhor resultado de nenhum deles.

A Microsoft e o Nadellacentrismo via The Brief